quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO DEPUTADO FEDERAL CABO DACIOLO



NOTA DACIOLO
Apesar do propósito do meu mandato ser colocar luz e mobilizar atenções em reivindicações importantes para trabalhadores e o povo do nosso Estado, não reconheci no debate de ontem a nossa pauta prioritária.
Não estou aqui para ser fustigado a falar como querem que eu fale, agir segundo comandos “de outros” interesses políticos. Não sou qualquer militar, sou reflexo de uma tropa que dos quartéis se mobiliza por Direitos, Dignidade, Democracia, Soberania, Respeito e Justiça.
Para mim, o prioritário são as condições de vida do povo pobre do nosso país; são os direitos e a dignidade dos trabalhadores, das Forças Armadas, dos Bombeiros, da PMERJ, da saúde e da nossa juventude.
Parte expressiva da população foi às ruas em 2013 reivindicando transporte de qualidade, saúde, educação, segurança, trabalho e moradia; essa é a pauta sobre a qual o mandato do Cabo Daciolo se debruçará nos próximos quatro anos.
Existem muitos debates importantes na sociedade, infelizmente não posso priorizar todos e felizmente temos outras pessoas e parlamentares que o farão.
Me reservo o direito de não trazer para minha ação política o debate que hoje mobiliza setores do meu partido, o PSOL e o Deputado Jair Bolsonaro.
Deixo claro que apoio integralmente o PSOL quando se mobiliza a defender a dignidade e os direitos das mulheres e me coloco contra toda e qualquer visão machista que desrespeite e confronte estes direitos. Nesse sentido, me separo de qualquer ação no parlamento nesta direção. Sou um homem, sou um esposo, um pai e um militar com outras convicções.
No entanto, não fui chamado pelo Psol e por nenhum outro setor a debater e preparar campanha pela cassação do mandato do Deputado Bolsonaro.
Se isso tivesse ocorrido, mesmo achando as posições deste erradas, não concordaria. Acho a tática equivocada, inclusive eleitoreira.
Repetidas vezes o deputado já foi acionado por motivos semelhantes e já sabemos como o Parlamento respondeu. Serviu unicamente para mobilizar e radicalizar em discursos de ódio a base social militar contra a da classe média e da juventude que hoje seguem o Psol.
Sou um homem cristão, quero falar de Amor, de Paz, de Solidariedade, de fraternidade. Não estou aqui para ser usado em discursos de ódio; por mais que muitas vezes precisemos buscar forças para não odiar as pessoas que debocham das necessidades do povo e usam para manter de forma medíocre seus postos no Parlamento.
Mesmo assim, me esforço para respeitar a quem acha ser esta a melhor pauta e melhor ação política. Mas para mim, exploração, opressão, machismo, racismo e preconceito são combatidos com as mudanças estruturais e não democráticas se subvertam à subjetividade moral e ética das pessoas.
Me reservo o direito de escolher as prioridades sobre as quais trabalhar.
Ontem, durante o acalorado debate estava em Brasília, na Secretaria Nacional de Segurança Pública, junto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Pauta: Providências concretas para estancar a epidemia de mortes de PMs no Rio de Janeiro e a escala de serviço escorchantes desses trabalhadores.
Dia 22/12 traremos ao Rio os secretários dessas pastas para juntos, buscarmos o Governo do Rio de Janeiro e exigirmos providências urgentes para esses ataques aos trabalhadores da Polícia Militar. Já iniciei esse debate com o Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão.
Sentei com o Governo Dilma, em Brasília, com o governo do Rio e continuarei buscando interlocução e negociação para resolver os problemas do povo. Não tenho medo de “contágio”, já provei em minhas lutas e pelos dias que passei nos cárceres de Segurança Máxima deste Estado que não estou à venda e não negocio princípios.
Convido a todos os envolvidos no debate de ontem, partidos, parlamentares, mobilizadores de redes sociais, imprensa a girarmos nossos “canhões” para o alvo que possa abrir possibilidades para termos a Segurança Pública verdadeiramente empenhada com os interesses do povo do Rio de Janeiro e não reprimindo e criminalizando seus direitos mais básicos.
Isso é tudo que tenho a acrescentar neste debate.
Deus está no Controle
Juntos Somos Fortes

Deputado Federal
Cabo Daciolo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Policial militar é morto é morto no Engenho de Dentro


Lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão, o soldado Hugo Ferreira Santos, 26 anos, morreu após ser baleado durante uma tentativa de assalto, na Rua Pernambuco, no Engenho de Dentro. 

Traficantes do Comando Vermelho atacam milicianos na comunidade Bateau Mouche/ Praça Seca

Noite de terça-feira (16)

SINPOL ESCLARECE AS ACUSAÇÕES DA ORGANIZADORA DO EVENTO DE DOMINGO EM COPACABANA

NOTA DE ESCLARECIMENTO AOS POLICIAIS E FAMILIARES DE POLICIAIS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA URBANA
– Causa estranheza os ataques da cabo Flávia Louzada, uma das coordenadoras do movimento de familiares de policiais vítimas da violência urbana, que junto com a advogada Zoraide Vidal, mãe da policial civil Ludmila Fragoso – associada do SINPOL, morta por bandidos em 2006 – estiveram no Sindicato pedindo apoio ao movimento das mães que perderam seus filhos para à criminalidade, ato realizado neste domingo (14/12) em Copacabana. Tanto Flávia Louzada quanto Zoraide Vidal pediram o carro de som do Sindicato, alegando que não tinham condições de alugar um.
– Em sua página do Facebook (pasmem) ela afirma o péssimo tratamento dado pelo SINPOL aos familiares dos policias mortos e que o Sindicato teria monopolizado o “microfone”. Na verdade, aconteceu justamente o contrário: os familiares de policiais militares e civis que estiveram no SINPOL com a Flávia Louzada e Zoraide Vidal foram muito bem recebidos e tiveram seus pedidos atendidos, sem pagar um tostão sequer.
– Quem estava lá viu que a todo momento o presidente do SINPOL, inspetor Leonardo Motta, franqueava o microfone aos familiares de policiais militares e civis vítimas da violência. Muitas vezes levando o microfone para a pista, facilitando a mensagem de quem quisesse dar o seu recado.
– O presidente do SINPOL, Leonardo Motta, só pegou o microfone por volta das 9:30h, quando observou que o gerador do caminhão estava ligado há quase uma hora e ninguém se habilitava para conduzir os trabalhos – nem Flávia e nem Zoraide Vidal.
– O SINPOL não só ofereceu gratuitamente o carro de som solicitado, como também atendeu o pedido de ajuda financeira feito pelas coordenadoras, oferecendo em espécie cerca de R$ 1 mil para ajudar com as despesas do movimento. Além disso, fez para Zoraide e Flávia Louzada um panfleto com mil cópias intitulado “A vida do policial é sagrada!” Como toda vida é!” Outro panfleto com mil cópias, a pedido de Zoraide, foi feito mostrando as reivindicações dos policiais civis. Fora isso, o Sindicato fez a divulgação do evento na mídia contribuindo para a maciça presença de familiares e policiais. Todo apoio foi oferecido! Flávia Louzada e Zoraide Vidal, entretanto, preferiram adotar um comportamento antiético e acusações infundadas.
– Um outro policial fala no Facebook da cabo Flávia Louzada que ela caiu na “arapuca“ do diretor Bandeira. Mas que arapuca se foram os próprios familiares que procuraram o SINPOL pedindo o carro de som e recursos para tocar o ato público?
– Ela alega ainda que o ato foi transformado em ato político. Aliás, o movimento é um ato político sim, visto que entre as posições tomadas durante a manifestação, estava o abaixo assinado para incluir na Constituição crime hediondo praticado contra integrantes das forças de segurança. Esse documento será entregue ao Congresso Nacional quando atingir 1 milhão de assinaturas.
– A agressão desmedida de Flávia Louzada, pessoalmente e no Facebook, pretendeu com sua irresponsabilidade e ingratidão insuflar policiais militares contra os civis. O momento, senhoras e senhores, é de serenidade e união! E nosso inimigo em comum são os criminosos que estão caçando nossos PMs e policiais civis.
– A bem da verdade, nos despedimos desejando a toda família policial civil e militar um bom Natal e que em 2015 as esperanças se renovem!
Diretoria do Sindicato dos Policiais Civis – SINPOL

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Secretário mantido em cargo é investigado por enriquecimento ilícito



Mantido no cargo de secretário de Administração Penitenciária (Seap), o coronel PM César Rubens Monteiro de Carvalho é alvo de uma investigação no Ministério Público por enriquecimento ilícito. Desde que sentou na cadeira de chefe do órgão, há oito anos, o oficial viu seu patrimônio pessoal multiplicar por dez. Chama atenção a habilidade de César Rubens em comprar e vender bens por preços abaixo do mercado.
Bem mais: a apuração da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania mostra que o secretário, apesar do compromisso de dedicação exclusiva exigido pelo cargo, divide seu tempo entre o papel de manter sob controle os 30 mil detentos do Rio de Janeiro com o de sócio de duas empresas privadas e a atividade extra remunerada de consultor no Estaleiro Mac Laren Oil. 
Os laços do secretário com a fabricante de navios são bem mais estreitos. Casado desde 2010 em regime de comunhão parcial de bens com a dona da empresa, Gisele Mac Laren, o secretário assinou um contrato de prestação de serviço entre a Maclaren Oil e a Fundação Santa Cabrini — subordinada à Seap e sem ônus para a secretaria, em 2008. No mesmo ano, César Rubens assume o cargo de consultor honorário e declara ganhar remuneração com a indústria. 
O vínculo, mantido até hoje, inclui viagens e reuniões periódicas com executivos até fora do país. O secretário não quis falar sobre o trabalho no estaleiro e a ação de enriquecimento ilícito. Só garantiu que as viagens para o exterior foram em férias e comunicadas à Secretaria da Casa Civil. Nos últimos 12 meses, somam 42 dias de licença. O contrato assinado com a Mac Laren, segundo o oficial da PM, não gerou custo ao estado. 
A apuração do Ministério Público aponta que César Rubens tem outra dor de cabeça com as séries de tarefas incompatíveis com as exigências do cargo de secretário. Em 2008, além do extra no estaleiro e o comando da chefia da Seap, ele integrava a lista de oficiais da ativa da PM — só foi para a reserva em 9 de agosto de 2010, como publicado no Diário Oficial. Ou seja: neste período, o coronel estava à disposição do comando da PM e não poderia acumular três trabalhos remunerados — o que é proibido para os oficiais e classificado como falta administrativa no Estado Militar. 
O sucesso nos multi negócios do coronel para na porta de entrada da secretaria. Na sua gestão, os preços com a alimentação disparam na mesma proporção que despencam os gastos com a Saúde e a Educação dos presos, como mostra o estudo detalhado do Tribunal de Contas do Estado, que analisou as contas da Seap em cinco dos oito anos administrados por César Rubens. 
O resultado do desequilíbrio pode ser visto na comparação do custo de cada detento nos estados das regiões Sul e Sudeste: os presos do Rio são os mais caros do sistema penitenciário brasileiro. Aqui, o estado desembolsa R$ 2,3 mil por preso, enquanto em São Paulo cada um leva dos cofres público R$ 1,4 mil. 

Patrimônio disparou em apenas dois anos 
A investigação do Ministério Público analisa a evolução patrimonial do secretário nos últimos 10 anos e descobriu um ‘boom’ nos bens entre 2009 e 2011. O antes proprietário de uma casa de posse na Ilha da Gigóia, na Barra, e um carro modesto transformou-se em um homem rico graças, em boa parte, à habilidade em comprar e vender imóveis, carros e lanchas sempre por preços abaixo do mercado. 
Entre os negócios analisados com lupa pelo MP, dois se destacam: a compra, em 2010, de apart-hotel na Avenida Lúcio Costa, Barra, por R$ 200 mil, e da quase totalidade das cotas da Intermundos Câmbio e Turismo, em Copacabana, por apenas R$ 85 mil. 
O negócio teve vida curta: as atividades da empresa foram encerradas em junho deste ano sob o argumento de falta de interesse do público em pacotes turísticos — apesar de ter rendido R$ 1,2 milhão ao oficial da PM só em 2012. César Rubens alega que a compra do apart-hotel, com 56 metros quadrados, se deu dentro do valor venal do imóvel, algo pouco comum no mercado imobiliário. O dinheiro para a compra veio da venda da casa na Ilha da Gigóia, adquirida pelo sócio e ex-dono majoritário da Intermundos por R$ 700 mil. Com a sobra de dinheiro, ajudou as três filhas na compra da cobertura de 178 metros quadrados e com duas vagas na garagem no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. 
Carro de R$ 290 mil foi presente da mulher, segundo o secretário

A apuração do MP aponta também para as doações recebidas pelo coronel César Rubens, como uma deslumbrante mansão em São Conrado. Gisela Mac Laren a adquiriu em uma troca com o apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana, e repassou 50% ao marido secretário oito meses após o casamento. O imóvel, que tem 576 metros quadrados de área construída — uma bela casa em dois andares — e ampla área verde, é avaliado hoje em R$ 15 milhões. A segunda envolve a doação, pela Mac Laren, do sofisticado BMW X5 (4.8), com 355 cavalos de potência e blindado. Segundo César Rubens, o carro, avaliado em R$ 290 mil, na verdade foi apenas um presente da esposa. O veículo era patrimônio do estaleiro. 

Lanchas, além de mansão e apart-hotel 
O secretário da Seap aparece também como dono de quatro lanchas no Cartório de Contratos Marítimos. Duas delas foram adquiridas pelo valor de R$ 2 mil. Os preços estão bem abaixo do mercado, mas o coronel assegura que os valores espelham o precário estado de conservação das embarcações. O outro barco, o militar adquiriu junto ao herdeiro de uma grande rede de loja de departamento por R$ 30 mil. Em nome de César Rubens consta ainda a compra, feita da própria mulher, de jet-ski ano 2009 e com 3,37 metros, por R$ 10 mil. O negócio foi fechado no ano passado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Comandante da PM vai investigar carros de luxo em nome de policiais

O comandante-geral da PM, coronel Íbis Silva Pereira, informou nesta terça-feira que pediu abertura de uma sindicância interna na Polícia Militar para investigar o patrimônio de policiais militares que estariam circulando com carros que custam até 43 vezes o valor dos vencimentos. A denúncia foi feita nesta terça-feira pelo GLOBO (leia) De acordo com a matéria, soldados e sargentos da PM têm carrões de até R$ 102 mil. 
- Pedi a abertura desta sindicância, e vou convocar uma reunião com os comandantes dos batalhões apontados na matéria para verificar se os veículos já estão sendo investigados ou não. Não vejo nenhum problema em policiais terem carros caros, desde que os mesmos justifiquem como compraram estes veículos com base em seus rendimentos. Tudo vai ser investigado e esclarecido. Essa não é a primeira sindicância aberta para apurar irregularidades relacionadas ao patrimônio dos policiais. Outras estão em curso — disse o comandante. De acordo com a Controladoria Geral da União (CGU), 60 das 1000 sindicâncias patrimoniais estão em fase de conclusão e os policiais que não comprovarem a legalidade dos bens acumulados poderão ser expulsos da corporação.

CÂMERAS GRAVAM A EXECUÇÃO DO POLICIAL MILITAR EM OLARIA

O soldado da Polícia Militar Ari Rodrigues Pestana Junior, 35 anos, lotado no 41º BPM (Irajá) foi morto por criminosos na porta de casa na sexta-feira (12) em Olaria. O policial lavava o carro, um Chevette, na rua Eça de Queiroz, esquina com Rua Ibiapina, na Penha, quando pelo menos dois criminosos chegaram num Renault prata e atiraram contra a vítima. No local do crime foram encontradas mais de 20 cápsulas de pistola calibre 380 e 9 mm.

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A bela frota dos PMs

REPORTAGEM DO JORNAL EXTRA/GLOBO


Se fosse usada como parâmetro para avaliar a remuneração na Polícia Militar, a frota particular estacionada em pátios ou nos arredores de batalhões colocaria em xeque a retórica dos baixos salários. Isso porque não faltam veículos caros — alguns de luxo, com valor de mercado em torno de R$ 100 mil — em nome de sargentos e até mesmo de soldados. O GLOBO visitou, ao longo de uma semana, unidades da PM no Centro e em bairros das zonas Sul, Norte e Oeste, e checou a propriedade de vários carros. O levantamento foi passado à Secretaria estadual de Segurança, que, este ano, abriu sindicâncias para apurar o patrimônio de cerca de cem policiais.
Com salários de R$ 2,3 mil e R$ 4 mil, respectivamente, soldados e sargentos podem ser vistos dirigindo modelos que custam até 43 vezes o valor de seus vencimentos, como os utilitários Hyundai Santa Fé e Honda CR-V EXL e as caminhonetes Amarok CD High e Nissan Frontier, com tração 4x4. Veículos assim costumam parar em frente aos batalhões de Botafogo, Bangu e, principalmente, Rocha Miranda. 

UMA MÁQUINA QUE VALE MAIS R$ 100 MIL 

É no 9º BPM (Rocha Miranda) que está lotado um sargento proprietário de um Hyundai Azera 3.0 V6 ano 2013. O carrão, de acordo com a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) custa pelo menos R$ 102 mil. Na madrugada do último dia 20, um outro sargento do mesmo batalhão invadiu, de arma em punho, um depósito da Secretaria municipal de Ordem Pública para recuperar sua picape Toyota Hilux ano 2006, que havia sido rebocada. O veículo está avaliado em aproximadamente R$ 62 mil.
O endereço que consta no registro de propriedade do Hyundai Azera fica na Rua Tacaratu, quase em frente ao 9º BPM. A casa informada no documento, contudo, não serve de moradia. O imóvel tem finalidade comercial — nele, é possível comprar cestas básicas ou alugar mesas e cadeiras para festas. Em um telefonema para a casa, um homem que atendeu a ligação questionou se o sargento estava sendo investigado pela equipe de reportagem e desligou em seguida. 

SEM PREOCUPAÇÃO COM MULTAS 

Muitas vezes, faltam vagas na Rua Tacaratu para tantos carros de PMs. Por isso, é fácil encontrar automóveis parados em fila dupla, como aconteceu no último dia 25. Sem se preocupar com multas, um sargento do 9º BPM ocupou parte da pista para estacionar sua picape cabine dupla Mitsubishi L 200 Triton 3.2 ano 2010, avaliada em R$ 80 mil. Com um detalhe: uma carreta para transporte de motocicletas estava acoplada ao veículo. 
Como tem sido difícil estacionar em frente ao 9º BPM, alguns policiais param seus carros a aproximadamente 50 metros da entrada do batalhão, na esquina da Rua Tacaratu com a Estrada do Sapê. Ali, também no último dia 25, um soldado conseguiu parar sua SUV Hyundai Santa Fé V6, ano 2008 e com preço médio de R$ 52 mil, sob a sombra de uma amendoeira. Um colega da mesma patente não teve tanta sorte: seu Kia Cerato 2011, estimado em R$ 41 mil, ficou ao sol. 
Já um soldado do 16º BPM (Bangu) não precisa procurar vaga na rua: ele costuma parar sua Renault Duster 16 D, fabricada este ano e com valor de mercado entre R$ 49 mil e R$ 62 mil (segundo a Fipe), no estacionamento interno do batalhão. Em setembro, a unidade foi um dos alvos da Operação Amigos S.A., que, deflagrada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e pelo Ministério Público estadual, levou à prisão 26 policiais, incluindo seis oficiais.
No 16º BPM, o gosto por carrões não parece ser algo limitado a praças e sargentos. Investigações revelaram que, poucas semanas antes da realização da Amigos S.A., um major trocou um Citröen Pallas avaliado em R$ 65 mil por uma picape Dodge Journey que custou R$ 120 mil. Hoje, três meses depois da operação, veículos caros voltaram a ocupar as vagas que ficam no interior e em frente ao batalhão. Na lista de possantes, a marca Toyota figura entre as favoritas e foi a escolhida por um sargento, que dirige pelo pátio um modelo Corolla 2013 de quase R$ 70 mil. 

AUTOMÓVEIS EM NOME DE TERCEIROS 

Dimensionar a frota de luxo dos PMs não é tarefa fácil. Os muros altos de vários batalhões dificultam a visão dos veículos parados nas áreas internas. Porém, muitos não se preocupam em esconder seu patrimônio. É o caso de um soldado do 16º BPM (Olaria), que tem vaga cativa na Rua Jorge Martins para sua SUV Honda CR-V 2008, cujo preço médio é R$ 54 mil.
Outro obstáculo para investigadores é a grande quantidade de veículos registrados em nome de parentes, principalmente mulheres dos policiais. Um sargento do Batalhão de Choque, por exemplo, é casado com a proprietária de uma caminhonete Amarok CD 4x4 High ano 2012, avaliada em R$ 102 mil. Por sua vez, um policial do 2º BPM (Botafogo) tem o hábito de dirigir a SUV Dodge Jouney SXT 2009 da companheira. O carro está cotado em R$ 56 mil.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, desde o início do ano, a Corregedoria-Geral Unificada (CGU) apura cerca de cem casos de suposta incompatibilidade entre salários e bens acumulados por PMs. O órgão informa que os sinais de riqueza mais comuns são justamente veículos, seguidos de imóveis. Ainda segundo a secretaria, o sargento do 16º BPM que dirige um Toyota Corolla já está sendo investigado pela CGU.
A Polícia Militar destaca que, em cada batalhão, há uma comissão — composta pelo subcomandante, por outros três oficiais e por integrantes do setor de inteligência — encarregada de investigar supostos casos de enriquecimento ilícito na tropa. “Essa análise é checada com os bens declarados no Imposto de Renda. Caso ocorra alguma irregularidade, os comandantes enviam a investigação para a Corregedoria da PM, que remete os documentos à CGU, para que a sindicância patrimonial seja instaurada’’, diz uma nota da corporação.
A PM informa também que o salário-base de um soldado é R$ 2.326,54 e de um cabo, R$ 2.679,74. Os vencimentos de um sargento variam de R$ 3.132,58 a R$ 4.070,85. A corporação ressalta que a renda pode aumentar de acordo com triênios, gratificações, cursos e outros benefícios. O GLOBO fez pedidos aos batalhões da Polícia Militar citados nesta reportagem para ouvir os proprietários dos veículos, mas não obteve respostas do comando dessas unidades.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Beltrame diz que apesar de ataques, blindagem de UPPs não é prioridade

Agência Brasil.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que a blindagem dos contêineres das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não é prioridade da secretaria, que, entretanto, vai adotar uma série de ações para melhorar a situação dessas unidades policiais em 2015. Depois de acompanhar  o estudo e o mapeamento que está sendo feito sobre as UPPs, no QG da Polícia Militar, o secretário disse não há como fazer um planejamento completo que atenda a todo o Rio de Janeiro, mas as UPPs que estão planejadas serão instaladas.
Beltrame explicou que o estudo vai diagnosticar o que deve ser feito nas UPPs e "se o diagnóstico mostrar que temos que fazer operação policial, a operação será feita, mas se disser que temos que reocupar, a polícia vai reocupar". As bases de UPP, têm sido alvo frequente de ataques a tiros de traficantes, nos últimos meses, com muitos policiais feridos.
Na última segunda-feira, 8, policiais da UPP que faziam patrulhamento de rotina na comunidade Nova Brasília, no Complexo de Favelas do Alemão, subúrbio do Rio, prenderam três pessoas em um ponto de drogas na localidade conhecida como Divineia. Logo depois, os traficantes trocaram tiros com policiais e quatro militares ficaram feridos.
Durante o confronto, o grupamento de operações especiais, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque (BPChoque), foram acionados, mas segundo relato de policiais locais, os agentes receberam ordem para não subir o morro e tiveram que recuar.
De acordo com Beltrame, a decisão é de quem está comandando no terreno: "Teria que ver com o comandante qual foi a motivação para que isso acontecesse. Mas eu duvido muito que qualquer força do grupamento de operações especiais não tenha condição de subir (o morro) e entrar em qualquer lugar do Rio de Janeiro. Temos que ver, efetivamente, o que aconteceu".
O Disque-Denúncia informou à polícia que alguns ataques poderiam acontecer às UPPs. Segundo o secretário, a polícia tinha conhecimento da informação, mas a questão é que a configuração geográfica e urbanística da favela permite que os criminosos, de uma maneira covarde, façam os disparos.
Para Beltrame, o poder público tem uma série de medidas para tomar antes da blindagem e o estudo que está sendo feito aponta para outras necessidades. "Ainda não há necessidade de partir para esse tipo de ação. O que temos que fazer é um gerenciamento de recursos humanos muito bem feito, um reestudo dessas áreas e avançar de uma maneira que não haja necessidade disso. Se chegar a um ponto em que o número de vítimas aumente ou isso não cesse, é uma coisa a se pensar. Mas, em princípio, não há essa possibilidade", afirmou.
De acordo com Beltrame, algumas comunidades que não têm UPP estão muito perigosas, como o Chapadão, a favela da Lagartixa, além de localidades de Santa Cruz e da Baixada Fluminense. Segundo o secretário, estão sendo planejadas UPPs para esses locais, mas primeiro tem que ser feita uma consolidação do programa de UPP existente, para poder adiantar o processo à frente com um pouco mais de tranquilidade.
Na zona oeste do Rio, as comunidades de Antares, Cesarão e a favela do Rola, não têm a presença da UPP e sofre frequentemente com ataques de criminosos. O secretário reconheceu o problema e disse que a polícia procura atuar na região realizando operações sistemáticas, mas essas comunidades passam por um problema antigo e crítico e o projeto de UPP tem que ir caminhando gradativamente, pois não há uma solução milagrosa.

PM é morto a tiros após reagir a assalto em Nilópolis


Um policial militar foi assassinado no domingo (14) no bairro Nova Cidade, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. O soldado Cristiano Rodrigues de Paula trabalhava no Batalhão de Choque. Segundo PMs, ele foi rendido quando estava com colegas de trabalho em um bar. Policiais fizeram buscas logo após o crime, mas ninguém foi preso. O caso vai ser investigado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).
Também neste domingo, à tarde, um outro sargento da PM foi baleado durante uma operação na comunidade Recanto das Acácias, em São Gonçalo. Ele foi encaminhado ao Hospital Alberto Torres. De acordo com um policial do 7º BPM (São Gonçalo), o sargento levou um tiro de raspão na cabeça e teve uma fissura na caixa craniana. Não há risco de morte.