Uma autêntica Vila Mimosa a céu aberto e bem no meio de casas de classe média. Tudo diante dos olhos de policiais militares, que circulam em carros oficiais e mostram tranquilidade com o ambiente e as personagens.
Os três bares — localizados quase no fim da praia — funcionam como espécie de boate ou termas. A única diferença é que nada fica restrito a quatro paredes. É tudo escancarado.
Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia

Mulher usando calcinha estilo fio dental conversa sobre um possível programa de madrugada, próximo a alguns bares que têm até cabines
Além da “vitrine” de mulheres expostas nas casas, os “negócios” entre clientes e prostitutas se desenrolam na rua. Com direito a beijinhos, abraços e análise minuciosa das garotas — quando vestidos sobem, biquínis caem e bumbuns são empinados.

Fio dental e botas
Nada a esconder. Uma das mulheres, na semana passada, apesar dos 17 graus no termômetro, desfilava bem à vontade — de fio dental e botas —, entre os carros e clientes.
Fez praticamente um strip-tease: rebolou para a plateia e parou os carros para conversar com interessados. Sumiu e, uma hora depois, retornou à rua, já com outra microcalcinha.
Os “negócios” fechados nas ruas sempre terminam dentro de bares. Nos fundos de alguns comércios, pequenas cabines funcionam como quarto de hotel. Os donos dos bares ficam com metade do valor dos programas, que vai de R$ 45 por 20 minutos até R$ 125 a hora.
Mas a tabela tem taxa mínima fixa: R$ 25 ficam com os bordéis. A cobrança é rigorosa e, no caso de o cliente levar a garota para os hotéis, é obrigado a desembolsar mais R$ 30 de "royalties".
Quem trapaceia corre o risco de ser flagrado pelos seis vigilantes dos bares espalhados na rua. Eles ficam exclusivamente de olho nas mulheres. A segurança é da PM.
Todos os dias, rigorosamente, patamos e patrulhas do 17º BPM (Ilha do Governador) passam pela Praia da Guanabara, entre 22h e meia noite.
Os agentes sempre param e conversam com as mulheres, cumprimentam alguns homens e seguem. Tudo bem natural.

PMs ignoram as cenas de prostituição
Todo pecado deve ser castigado pela tropa do 17º BPM (Ilha). O comandante do batalhão, coronel Ezequiel Oliveira de Mendonça, assegura que as ordens são para os soldados “coibirem os crimes tipificados no Código Penal”.
Nem todos seguem a cartilha. Nos dias em que O DIA observou a "rua do sexo" na Ilha, três patrulhas (54-5442, 54-5718 e 54-2954) e uma patamo (52-1689) passaram nos bares e assistiram a cenas de prostituição.
Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia

Carro de polícia fica pelo menos cinco minutos parado em frente ao Lilian’s Bar. Policiais ignoram cenas de prostituição por perto
No cadastro do 17º BPM, duas viaturas não estão na frota do batalhão: a 54-5718 — que na quinta-feira, às 23h10m, ficou pelo menos cinco minutos estacionada em frente à Lilian’s Bar — desde fevereiro, por problemas mecânicos, foi encaminhada à Júlio Simões, empresa responsável pelo aluguel de carros à PM.
A segunda, número de ordem 54-2954, pertencia a um Gol descaracterizado, vendido pela corporação. Nos carros, estavam homens com fardas da PM e armados de fuzis.