quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Delegado é investigado pela Polícia Federal

O GLOBO
Assim como o tenente-coronel da PM Fernando Príncipe Martins, que passou a ser investigado para explicar como conseguiu comprar um Porsche zero quilômetro avaliado em mais de R$ 600 mil, outro policial do Rio caiu nas malhas da corregedoria: o delegado Márcio Franco, ex-braço direito da delegada Martha Rocha, chefe de Polícia Civil. Márcio responde a dois inquéritos internos e a um na Polícia Federal, no qual é suspeito de lavagem de dinheiro. Na PF, terá que justificar como conseguiu nos últimos anos movimentar milhões de reais na sua conta-corrente. Como o coronel Príncipe, Márcio também atribui sua ascensão financeira ao trabalho paralelo, como sócio-cotista de uma empresa de segurança com atuação há cerca de sete anos no Rio.

Márcio é ex-diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil, cargo que assumiu depois da passagem por várias delegacias especializadas do estado. Do DPE, ele foi afastado em julho de 2011 após um episódio controverso: o registro do furto de dinheiro de sua gaveta, na sede da Polícia Civil. Márcio afirmou, na época, que teriam sido furtados R$ 5 mil. O problema é que ele próprio registrara inicialmente que o valor era R$ 15 mil. A quantia em espécie chamou a atenção de seus superiores.

Coaf verificou anormalidade
O assunto passou a ser investigado em dois inquéritos, pela Corregedoria Interna da Polícia Civil e pela Corregedoria Geral Unificada (CGU), em agosto do ano passado, por determinação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de Segurança informou apenas que os inquéritos contra Márcio Franco ainda estão em andamento.
Já o inquérito na PF tem como base um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), unidade de inteligência financeira do Ministério da Fazenda. Os técnicos do Coaf identificaram nos últimos anos uma movimentação atípica na conta-corrente do delegado.
Segundo rastreamento realizado pelos agentes federais do Rio, num período de três meses (entre janeiro e março de 2007), Márcio Franco movimentou R$ 655,6 mil em espécie, o que foi considerado atípico devido à capacidade financeira do delegado.
Os policiais federais também constataram que Márcio teria registrado em seu nome dez operações imobiliárias, sete das quais de aquisição, num total de R$ 4,144 milhões, entre 1998 e 2007, e três de alienação, num total de R$ 1,9 milhão, realizadas no período de maio de 2006 a junho de 2007. As investigações começaram a ser feitas em 2008 pelo delegado federal Luis Flávio Zampronha, o mesmo policial que esteve à frente do inquérito do mensalão que vem sendo julgado pelo Superior Tribunal Federal (STF).
Na época, Luis Flávio Zampronha era o diretor da Divisão de Repressão ao Crime Financeiro, da Polícia Federal de Brasília. O resultado da investigação foi encaminhado no ano seguinte para os policiais da Delegacia de Repressão ao Crime Financeiro, da PF do Rio.
Nas investigações, Márcio Franco aparece como sócio de Izamilton Mota Góes, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Flamengo (2008 e 2009) e atualmente membro do Conselho Fiscal do clube rubro-negro. Cada um dos dois teria 50% das cotas da empresa Delta Group Consultoria em Segurança e Locação de Mão de Obra Ltda, constituída em 2005 e com sede no Andaraí. Izamilton também aparece como sócio da empresa Delta Force Segurança e Vigilância Ltda, constituída em 1996 e com sede no Rio Comprido, na qual figura como sócia Hebe Franco de Mendonça, mãe do delegado Márcio Franco. Nessa época, Izamilton era funcionário da Câmara dos Vereadores do Rio, lotado no gabinete da vereadora Patrícia Amorim, atual presidente do Flamengo.

Inquérito sobre compra de jogador
O nome de Izamilton também apareceu em outra investigação federal, num inquérito de 2001 que apurou uma suposta operação de lavagem de dinheiro envolvendo a compra do jogador sérvio Dejan Petkovic pelo Flamengo em parceria com a empresa suíça ISL, na época patrocinadora do clube. Izamilton era citado juntamente com o então presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva.
Localizado, Izamilton não quis dar qualquer declaração. Já Márcio Franco não foi encontrado para falar sobre o assunto.

2 comentários:

  1. Código Penal

    "Se a comissão especial do Código Penal não propuser a redução da responsabilidade criminal para 15 (quinze) anos, no mínimo, então é melhor que restrinjam os trabalhos à legalização do jogo do bicho. É impossível que as coisas continuem como estão e em marcha acelerada de agravamento. O que se vê é cada vez mais cidadãos classificados como menores de idade cometendo crimes de todos os matizes, a mando ou não de bandidos maiores, mas sempre com requintes de crueldade. Se o sujeito pode votar e pegar numa arma para assaltar e matar, por que teria que ser tratado como uma "inocente vítima da sociedade"? Vamos deixar de hipocrisia e tentar adaptar a lei, antes que seja tarde demais!" (José Paulo Guarabyra Vollmer - Araruama, RJ)

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  2. De acordo com a CF/88 e o DIEESE, um Soldado PM/BM deve ganhar no mínimo em torno de R$ 2.519,97 mensais (valor líquido).

    O Salário Mínimo Necessário divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (http://www.dieese.org.br), capaz de atender às necessidades vitais básicas (moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social), de acordo com o artigo 7º, inciso IV, da Carta Magna de 1988, em Julho de 2012 correspondeu a R$ 2.519,97 (dois mil, quinhentos e dezenove reais e noventa e sete centavos). O piso salarial deve ser reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo dos Militares Estaduais do Brasil.

    http://www.dieese.org.br/rel/rac/salminMenu09-05.xml

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