sábado, 22 de setembro de 2012

Niterói e São Gonçalo perdem 300 policiais para UPPs

O FLUMINENSE 

Representantes de moradores temem a volta de onda de violência após transferência . Nota de repúdio foi encaminhada à Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj

As cidades de Niterói e São Gonçalo perderam, nos últimos dias, 300 policiais. Esta situação deixou representantes da Câmara de Segurança da Região Oceânica (CSRO) em estado de alerta. A transferência, que teve início em agosto, gerou uma nota de repúdio feita pela CSRO, informando da retirada destes policiais e de parte do aparato de segurança trazido para a cidade na época que a “onda de violência” assolou o município. O documento foi encaminhado à Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), solicitando apuração do caso.
A preocupação parte do princípio que com a transferência dos policiais e a não reposição deste contingente, fatos como os que ocorreram na cidade, nos meses de fevereiro, março e abril, voltem a assombrar a vida dos moradores de Niterói.
“Quando houve aquele boom de violência na cidade, o secretário de Segurança e o comandante-geral da PM, usaram estes novos PMs que estavam aqui fazendo estágio, como número de policiais que estavam reforçando o policiamento de Niterói. Se eles estavam reforçando e saem, houve uma perda. Tudo bem que eles (PMs) cumpram estágio e passem a ingressar as unidades pacificadoras, mas cadê a reposição? Com essa redução, não há dúvidas que em um curtíssimo espaço de tempo nós vamos voltar ao mesmo patamar de violência anterior”, falou Renan Lacerda, presidente da Câmara de Segurança da Região Oceânica.
Renan Lacerda diz ainda que a queda do efetivo pode ser notada na Região Oceânica. Ele afirma que na época do aumento de roubos havia 70 policiais patrulhando a região, em seguida, com as medidas adotadas pelo governo, o número aumentou para 120 e hoje voltou a ser 70. O apoio do Batalhão de Choque também deixou a cidade e os cavalos que chegaram vir para cidade, precisaram retornar para Campo Grande.
“Onde estão motos e Patrulhamentos Táticos Móveis (Patamos) destinados à Região Oceânica quando a criminalidade na cidade aumentou? Os cavalos vieram e não tinha local adequado, tiveram que retornar. Mas a população da Região Oceânica e a Câmara de Segurança conseguiram um local dentro de um iate clube para abrigar estes animais, articulando com empresários locais o material para construção das baias”, completou.
A expectativa é que até o fim da próxima semana o requerimento do deputado estadual Paulo Ramos (PDT), que solicita uma audiência pública com o secretário de Estado de Segurança José Mariano Beltrame e o comandante-geral da Polícia Militar (PMERJ), coronel Erir Costa Filho, para esclarecimentos sobre o remanejo de policiais lotados no 12° BPM (Niterói) e no 7º BPM (São Gonçalo) para Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio, seja votado.
“É um absurdo. Houve reforço do policiamento em Niterói a Prefeitura contratou homens por meio do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) e agora pode perder 100 agentes, enquanto em São Gonçalo seriam 200. Queremos explicações. Após aprovado, o ofício enviado ao presidente da comissão, deputado Zaqueu Teixeira (PT), a audiência deverá acontecer”, disse Paulo Ramos.
Questionada sobre o fato, a assessoria da Polícia Militar respondeu apenas que, no início de setembro, 160 dos 588 policiais formados no último dia 3 de setembro foram deslocados para cumprir estágio prático-operacional em Niterói. Outros 160 foram para São Gonçalo. 
Além disto, há 465 policiais trabalhando pelo Proeis para a Prefeitura de Niterói e 33 policiais para a concessionária das barcas. O Regime Adicional de Serviços (RAS) está empregando também um reforço diário de 50 policiais para Niterói. O 7º BPM conta com mais 97 policiais/dia.


Um comentário:

  1. UPPs x BATALHÃO

    O governo Sérgio Cabral inaugurou a sua maior UPP, isso na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

    O efetivo anunciado pelo governo é de 700 Policiais Militares prontos.

    Enquanto isso, o 18º BPM, situado em Jacarepaguá não possui nem mesmo 400 Policiais Militares prontos para desenvolver todas as formas de policiamento em sua área.

    Isso pode dar certo?

    Devemos super policiar as comunidades e abandonar o asfalto?

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