quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tráfico obriga comerciantes a fornecer carteiras de trabalho para criminosos


Duas delegacias da Polícia Civil — a 20 DP (Vila Isabel) e a Delegacia de Combate às Drogas — estão investigando a informação de que comerciantes estão sendo pressionados a assinar carteira de trabalho para pessoas ligadas ao tráfico de drogas no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde há uma UPP desde novembro de 2010. O objetivo é simples: com o documento nas mãos, traficantes se passam por trabalhadores e conseguem, assim, escapar das abordagens policiais com mais facilidade.
A recusa em ceder à pressão dos criminosos seria um dos motivos para o assassinato do comerciante Flávio Duarte, de 40 anos, dono de uma padaria no morro, morto no último dia 4. Na edição de anteontem, o EXTRA mostrou que traficantes da favela probiram comerciantes de vender para policiais da UPP.

Dois meses e meio antes de ser morto, Flávio da Padaria, como ele era conhecido na favela, procurou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para fazer denúncias sobre a ação do tráfico. A Secretaria de Segurança confirmou que Flávio teve uma reunião com Beltrame, em 15 de junho, "para tratar de assuntos de interesse da comunidade", mas não revelou o teor do encontro.
Menos de 48 horas depois do crime, outro morador foi assassinado. Gilberto Paiva de Campos, o Russo, de 54 anos, foi baleado dentro de casa. Ele era amigo de Flávio da Padaria. A Divisão de Homicídios é responsável pela investigação dos dois casos.

Denúncia de ameaças a ritmistas
As denúncias sobre intimidação organizada por bandidos do Morro dos Macacos não ficariam restritas à comunidade. No último sábado, integrantes da bateria da escola de samba Unidos de Vila Isabel que moram na favela teriam sido ameaçados e impedidos de ir ao ensaio, marcado para as 23h na quadra conhecida como Vilinha, no Boulevard 28 de Setembro. Eles só teriam sido liberados no início da madrugada, e chegaram ao ensaio por volta das 2h.
A 20 DP (Vila Isabel) também está investigando denúncias sobre as possíveis ameaças. O presidente da escola, Wilson Vieira Alves, o Moisés, disse não ter conhecimento do incidente:
— Não tomei conhecimento desse episódio. Se me sentisse ameaçado, iria à delegacia, para denunciar.
Acusado de ligação com o jogo do bicho, Moisés foi condenado a 23 anos por contrabando, formação de quadrilha e corrupção ativa.

Lei do silêncio no morro
No Morro dos Macacos, moradores e até policiais evitam falar sobre a ação do tráfico. Antes de entrar na sede da UPP, um jovem oferece:
— Quer um peixe aí (gíria para cocaína)?.
Enquanto circulava pela comunidade, a reportagem era seguida de perto por olheiros do tráfico.

2 comentários:

  1. os policiais da upp do macaco estão sendo proibidos de comprar qualquer coisa na favela por ordem dos traficantes os comerciantes estão sendo proibidos de vender para a PM e o comandante da unidade ñ faz nada a respeito.

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    1. pois é... todo mundo sabe o que esta acontecendo e porque aconteceu o que aconteceu...ninguém vai dar a cara para bater e ficar mercê de morrer com tiro na cara .
      os próprios policiais estão igual aos moradores, com receio de novos confrontos, por isso estao evitando de comprar as coisas dos comerciantes. A verdade é que a todos sabem que o tráfico ainda continua dando ordens. muito triste isso.

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