quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Delegado revela que transporte de drogas do Rio de Janeiro para São Gonçalo envolve, ao menos, 32 pessoas. Cinco já foram presas, entre elas dois taxistas

A prisão de cinco pessoas na manhã de terça-feira, entre elas dois taxistas, que estariam envolvidas com o fornecimento de drogas para as principais comunidades de São Gonçalo, pode revelar uma organização bem maior do que o apresentado. Segundo o titular da delegacia de homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), Wellington Vieira, 32 pessoas podem estar envolvidas com o esquema onde atuariam como vendedores, distribuidores, líderes do tráfico, auxiliadores e financiadores. Todas estão indiciadas e com pedido de prisão preventiva expedidos.
A investigação que começou com a morte do traficante Raphael Guimarães, o Chacal, e teve suas apurações aprofundadas há cinco meses, mostrou que as drogas saíam das favelas de Manguinhos, Mandela, Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, pacificadas há pouco mais de uma semana, e seguiam para os morros da Coruja e Salgueiro, ambos em São Gonçalo.
Ao todo estas comunidades recebiam em média 100 quilos de cada tipo de entorpecente por mês e este material era transportado por taxistas apelidados de ‘mulas’ ou ‘aviões’. Cada corrida custava R$ 300 e no final de cada mês os motoristas chegavam a ‘lucrar’ quase R$ 2 mil. O último abastecimento realizado pela organização foi na sexta-feira, onde cerca de 80 quilos de drogas foram deixados no Complexo da Coruja. Para o delegado, Wellington Vieira, o que surpreende é que um dos principais articuladores para abastecimento desta favela é um homem que está preso, o Luiz Queimado.
“Queríamos saber como a droga chegava a estas comunidades. Desde a morte do Chacal tivemos a oportunidade de aprofundar as investigações e apartir daí entender e monitorar como estes locais eram abastecidos. As operações vão continuar. Temos muita gente envolvida neste caso, inclusive traficantes conhecidos como o Luiz Queimado e o Rabicó”, disse o titular da distrital.
O trabalho para prender integrantes dessa quadrilha pode levar anos, e para o delegado Wellington Vieira o objetivo das investigações é chegar até os financiadores do tráfico, pois são eles as principais peças do quebra-cabeças. A quadrilha é composta em sua maioria por vendedores, distribuidores, líderes do tráfico ou território, auxiliadores ou olheiros e financiadores.
“Os financiadores não são usuários e sim gente grande. Na maioria das vezes são donos de algum estabelecimento comercial ou coisa parecida. Os líderes de território são controlados por estes homens. Hoje a Polícia Civil consegue chegar aos vendedores, distribuidores e alguns líderes, mas para chegar nos financiadores as investigações precisam avançar muito, mas a Polícia Civil já está se aparelhando para chegar a estes homens”, contou.

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