segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estudante é morto em Cordovil e família acusa PM de falha em abordagem

O estudante Rafael Costa da Silva, de 16 anos, morreu após ser baleado quando dirigia carro da mãe, na Estrada Porto Novo, em Cordovil, na Zona Norte, no início da noite deste domingo. A família acusa policiais do 16º BPM (Olaria) de metralharem o veículo onde estavam outros quatro jovens, - dois irmãos e dois amigos da vítima - falha na abordagem e de tentar mudar a cena do crime retirando o projétil de fuzil do pescoço do jovem e socorrê-lo já sem vida para um hospital. Um dos amigos também foi baleado.
De acordo com o advogado da família, Marcelo Branco, dois PMs que teriam confessado na Divisão de Homicídios (DH) ter feito os disparos contra o veículo, já estão presos administrativamente. O principal objetivo da família é juntar o máximo de provas materiais que possam provar a inocência dos jovens e comprovar a ação desastrosa dos PMs. Ele não descartou a hipótese de processar o Estado. A Polícia Militar, a DH e a Secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciaram sobre o caso.
Segundo o pai de Rafael, o motorista da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walmir Miguel da Silva, de 53 anos, a mãe do rapaz havia emprestado o Fiat Idea para que ele fosse da Penha Circular, onde morava, visitar os irmãos paternos Raoni e Róbson Fernandes da Silva, de 17 e 19 anos, respectivamente, no bairro vizinho de Cordovil. O segundo é soldado do Exército.
Ainda de acordo com o Walmir, os três irmãos e os amigos, identificados apenas como Rafael e Felipe, seguiram para um encontro com as namoradas. Na Estrada do Porto Velho, em Cordovil, o pneu do carro dos jovens estourou após passar por um buraco. PMs em duas patamos do 16º BPM que passavam pelo local teriam se assustado e confundido o estrondo com uma explosão. Um dos veículos fechou a via e policiais em outra começaram a atirar. O carro dos jovens então bateu em um outro veículo que estava estacionado na rua.
O pai contou que o carro da esposa, dirigido por Rafael, era azul marinho e tinha os vidros escuros. Ele acusou os PMs de tentar socorrer o filho já morto e tentar localizar a cápsula antes dos peritos. "O carro foi furado a tiros por todos os lados. Os outros quatro poderiam ter morrido. O que eles fizeram foi uma covardia", protestou Walmir, após prestar depoimento da Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, Zona Oeste, na madrugada desta segunda-feira.
"O PM tentou tirar a bala de fuzil do pescoço do menino. Impedi que meu filho fosse socorrido, como eles queriam. Ele já estava morto", disse emocionado o pai de Rafael. De acordo com o motorista, por sorte o projétil foi achado por ele no chão. Segundo ele, o cartucho e o nome dos policiais que estavam nas duas viaturas foram anotados e entregues à DH.
A versão é endossada por Róbson, irmão de Rafael, que fez críticas veementes a ação da PM. "Não lembro de nada, só ouvi os tiros. Sai do carro e me identifiquei como militar do Exército. Os outros também saíram e fomos obrigados a deitar no chão. Vi um policial mexendo no meu irmão baleado dentro do carro. Eles encostaram a viatura para socorrê-lo. Aí eu disse: meu irmão não vai na caçapa não. Ele não é bandido. A população também não deixou que tirassem ele do carro", relatou.
Os irmãos de Rafael que estavam no carro também foram ouvidos na unidade. Eles nada sofreram. Ainda não há informações sobre os paradeiros do jovem identificado apenas como Felipe. Ele estava no carro e foi ferido por um tiro de raspão no ombro. O advogado Marcelo Branco disse que ele foi socorrido pelo pai, mas não há informações sobre seu estado de saúde e a unidade de saúde para onde foi levado. O outro amigo, também de nome Rafael, nada sofreu.
Walmir também contou que no local um dos policiais pelo telefone avisava a seu interlocutor que caso alguém questionasse o que teria ocorrido, a informação que deveria se passada era de uma troca de tiros. O pai de Rafael acredita que o militar estivesse em contato com a sala de operações do 16º BPM ou com algum colega da unidade. Ele também se disse vítima da ironia dos PMs. Um deles, identificado por ele como sargento Rodrigues e o motorista de uma das duas viaturas, riram e debocharam da situação.
Róbson contou que o irmão ia começar um curso com o sonho de se tornar bombeiro. A mães dele já estaria juntando dinheiro para financiar os estudos dele. "Eles (PMs) não atiraram nem pro alto. Já vieram com fuzil pra cima. A primeira providência era abordar e pedir pra gente se identificar", concluiu.
O advogado Marcelo Branco informou que o delegado responsável pelo caso acredita que os PMs tenham se precipitado e feito uma abordagem errada ao veículo. Não teria havia ordem para parar e um abordagem de praxe, tendo só sido feitos os disparos. Marcelo afirmou ainda que não era realizada uma blitz no momento.

8 comentários:

  1. Nota sobre o caso da morte do jovem Rafael Fernandes da Silva

    A Coordenadoria de Comunicação Social informa que o sargento Marcio Perez de Oliveira, 36 anos, acusado da morte do jovem Rafael Fernandes da Silva, de 16 anos, já está preso na Unidade Prisional da PM em Benfica. Ele foi autuado por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) pela Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, lamentou a morte do jovem. O comandante classificou o fato como “lamentável” e afirmou que os policiais só devem atirar quando há segurança, já que a principal missão da corporação é a preservação da vida.

    http://www.pmerj.rj.gov.br/

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  2. Tem quem apurar direitinho, esse local é de controle de milícia e a cara desses garotos são de ganso, tem caroço nesse angú. De quem era esse carro? quem era os outros ocupantes do carro? pneu não estoura ao passar em quebra molas, o motorista tinha habilitação? após a resposta dessas perguntas, teremos um melhor juízo de valor. Se o policial realmente errou rua nele.

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  3. caro blogueiro gostaria de lhe fazer um pedido em nome de toda tropa, comece desde já a falar sobre umas das maiores perdas que tivemos que é a escala 24x72 e que segundo o boletim voltaria em dezembro, escala esta que beneficiava imensamente os policiais honestos que querem trabalhar bem e poder ter um descanso digno que qualquer trabalhador merece, acontece que perguntei pessoalmente ao comandante de minha unidade sobre a volta dessa escala e ele me respondeu simples e direto; voce acredita em papai noel? entao amigo blogueiro peco a vc que use esta maravilhosa ferramenta que tanto bem nos tem feito para desde já se empenhar em divulgar mais essa covardia que está pra vir, um abraco.

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    1. Quem não faz greve não merece reclamar. Sou a favor da volta da velha escala de 24X24. Os antigões lembram.

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  4. É fácil culpar a PM, mas vamos analisar as circunstâncias. Os agentes policiais estao sitiados, a delegacia de Inhaúma montou até barricadas por causa dos bandidos despejados de Manguinhos e Jacarezinho como mostrou ontem o Jornal o Dia. Ao contrário do que o governo diz, nao esta tudo as mil maravilhas. Os PMs vivem em estado de alerta.. policial também tem família amigo.

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  5. O QUE ACONTECEU COM O TICKET DA ELEIÇÃO E O MESMO QUE VEM ACONTECENDO COM A ETAPA DE RANCHO DOS PMs QUE TRABALHAM NO CRSP, POIS MESMO O CRSP NÃO TENDO RANCHO A ETAPA DE RANCHO FOI CORTADA DOS CONTRACHEQUES PELO Sr. CMT GERAL DA PMERJ, FAZENDO COM QUE OS PMs DAQUELA UNIDADE GASTE EM MÉDIA DE SEUS MINGUADOS SALÁRIOS POR DIA DE SERVIÇO A QUANTIA DE R$12,00. VAI VENDO!!!

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  6. O SR. CMT GERAL NÃO AJUDOU A TROPA EM NADA, PELO CONTRÁRIO, DIMINUIU O VALOR PAGO NOS CONTRACHEQUES, POIS CORTOU O DESARRANCHAMENTO DE BOA PARTE DA TROPA!

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  7. Ao analisarmos o artigo 7º, inciso IV, da Carta Magna de 1988, percebemos que os Bombeiros e Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro não recebem um salário digno. O Salário Mínimo Necessário, divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (http://www.dieese.org.br), capaz de atender às necessidades vitais básicas (moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene e transporte), em Setembro de 2012 foi estimado em R$ 2.616,41 (dois mil, seiscentos e dezesseis reais e quarenta e um centavos). O piso salarial deve ser reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo dos Militares Estaduais. O valor tem que ser suficiente para a manutenção do servidor. O Governador deveria ter vergonha de pagar tão mal!

    UM ESTADO QUE PRETENDE SEDIAR MEGAEVENTOS ESPORTIVOS COMO COPA DO MUNDO E OLIMPÍADAS NÃO PODE PAGAR MENOS DO QUE O SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO AOS SERVIDORES PÚBLICOS ESSENCIAIS. PAGAR UM SALÁRIO DIGNO É IMPORTANTÍSSIMO!! O RIO DE JANEIRO, ESTADO QUE POSSUI A SEGUNDA MAIOR ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS, PAGA O MENOR SALÁRIO DO BRASIL.

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