domingo, 10 de fevereiro de 2013

Bola Preta desfilou sem aval dos bombeiros

Corporação não analisou evento; prefeitura culpa a PM por obstruir passagem, e bloco diz que não se reuniu com autoridades

Faltou pouco para que o desfile do Cordão da Bola Preta, que levou cerca de 1,8 milhão de pessoas ao Centro, terminasse em tragédia. O Corpo de Bombeiros não avaliou e, portanto, não autorizou a realização do evento. A Polícia Militar estacionou três carros nas rotas de fuga. O presidente do bloco não participou de reuniões de planejamento sobre o desfile. O Teatro Municipal avançou sua grade de proteção sobre a calçada, reduzindo o espaço do público, e as emissoras de TV instalaram uma grua no local para transmitir a festa ao vivo. Tudo isso gerou tumulto e sufoco na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Evaristo da Veiga, a cem metros do Quartel General da PM.
Procurado pelo GLOBO, os bombeiros admitiram que o evento não tinha autorização para acontecer, o que revela falta de cuidado com planos de escape. No Rio, há uma resolução estabelecendo que os promotores de eventos com mais de mil pessoas são responsáveis tanto pela segurança dos participantes quanto por providenciar médicos, enfermeiros e ambulâncias em número adequado. Quando o evento ultrapassa 40 mil pessoas, é necessário que esses recursos sejam “definidos em avaliação especial” — o que nunca aconteceu. Durante o desfile, havia até ambulantes vendendo churrasquinhos feitos com pequenos botijões de gás.
O secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Melo, nega a falta de planejamento e culpa a PM por ter mudado de estratégia, deixando de acompanhar o bloco ao longo de seus desfile — como costumava fazer:
— Faltou bom senso na PM. Se não fossem os carros, a multidão teria seguido as rotas de fuga: a Praça Mahatma Gandhi e o Aterro do Flamengo. Não era para os carros ficarem parados, sendo engolidos.
O comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), tenente-coronel Sidney Camargo de Melo, nega mudanças nos planos para o desfile e aponta o espaço reservado às TVs como o vilão. Ali, pessoas chegaram a ser imprensadas contra as grades.
— Pusemos 190 homens em 28 viaturas. Mesmo assim, teve gente se aproveitando para praticar furtos — disse o comandante, atribuindo o tumulto a esses crimes. Até ontem, a Polícia Civil não havia divulgado o total de furtos no bloco.
No jogo de empurra, o presidente do Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, contou que nunca foi chamado pelas autoridades para discutir o desfile: —Nunca fomos convidados para as reuniões. Queremos bater o recorde de público, mas não com incidentes.
Ao avaliar o episódio, o professor Eurico de Lima Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF, ressaltou que, eventos de massa, como o carnaval de rua, devem ser planejados com tempo e por especialistas.
— Não houve planejamento nem da polícia, nem dos bombeiros, nem da Guarda Municipal. Faltou pouco para que a festa virasse uma tragédia. Era uma evento aberto. Não teria as proporções do incêndio em Santa Maria, mas não há razões para expor as pessoas. O Brasil precisa aprender a se organizar, ainda mais com a Copa e as Olimpíadas.
Para o doutor em Aplicações e Planejamento de Segurança de Grandes Eventos, Diógenes Dantas Filho, o desfile também não foi fiscalizado:
— Não avaliaram o tempo de escoamento, não criaram acesso às ambulâncias nem aos carros da PM!
A prefeitura realizará na quinta-feira uma reunião sobre o desfile do Monobloco, que ocorrerá no domingo.




4 comentários:

  1. VIVA A DEMOCRACIA DE UM PAÍS HIPÓCRITA E SEM MORAL.

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  2. 3 VIATURAS DA POLÍCIA MILITAR SÃO DESTRUÍDAS DURANTE O "CORDÃO DO BOLA PRETA"!

    Três viaturas da Polícia Militar (PMERJ) foram depredadas num tumulto na dispersão do desfile do Cordão da Bola Preta, que arrastou uma multidão de pessoas pela Avenida Rio Branco, a principal do Centro do Rio. Uma das patrulhas teve os vidros quebrados. Foliões subiram nos três carros, que ficaram com as latarias amassadas. Dezenas de pessoas passaram mal na confusão. Algumas desmaiaram, mas não houve relatos de feridos ou de prisões. HOUVE DANO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO, E NINGUÉM VAI RESPONDER POR ISSO? SE O PM BATE COM A VIATURA DURANTE O SERVIÇO, O COMANDANTE DO BATALHÃO QUER PRENDÊ-LO...

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  3. só um desabafo sei que é muito legal termos uma cidade
    bem policiada no carnaval, todos gostamos.
    porém para isso, acontecem certas
    arbitrariedades que não vemos. meu pai
    por exemplo é do 14° batalhão em bangu
    no rio de janeiro ele trabalharia dois dias
    de carnaval em sua escala normal os outros
    dois ficaria com a família, mais foi obrigado
    a tirar serviço extra sem direito de
    reclamar ,ficando assim apenas um dia em
    casa diferente de qualquer outro trabalho
    que respeitam as horas semanais e outros
    direitos do trabalhador a pm com seu
    militarismo, faz oque quer com seus
    homens.

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  4. OS CORONEIS CORRUPTOS DOS BOMBEIROS FAZEM O QUE OS DESGOVERNADOR SERGIO CAOBRAL QUER!!!!!

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