sábado, 9 de fevereiro de 2013

Circuito interno de boate que serviu para incriminar bicheiro, agora o absolve de homicídio

JORNAL EXTRA
 
As imagens do circuito interno da boate The Week, uma das provas usadas pela Divisão de Homicídios para indiciar o contraventor João Carlos Martins Maia, o Joãozinho King, por mandar matar o policial civil Marcelo Bittencourt Luz, em 6 de agosto de 2011, foram as mesmas usadas pela defesa do bicheiro, e convenceram o Ministério Público e a Justiça, a absolvê-lo sumariamente. Segurança de Joãozinho, Antonio Carlos de Oliveira Junior, autor do disparo, também foi absolvido, por ter agido em legítima defesa.
No relatório da DH sobre as imagens, é descrito que, em 5h16m6s de gravação, Joãozinho aponta para Marcelo. Alguns segundos depois, Oliveira se aproxima do policial e atira contra ele. No relatório de investigação, feito pela especializada um dia após o crime, a sequência é citada como evidência da intenção da dupla de executar o policial sumariamente.
O documento da DH junta depoimentos e imagens são citados como suficientes para indiciar os dois: “todas as provas testemunhais colhidas no bojo deste procedimento encontram-se em perfeita harmonia com as imagens do circuito (...)”.
O Ministério Público teve entendimento diferente: para o promotor Fabio Vieira dos Santos, testemunhos e imagens provam que Joãozinho não mandou matar Marcelo. “Extrai-se das imagens da captura de vídeo do interior da boate no horário do incidente que não houve qualquer sinal de João Carlos que servisse de comando para que o outro acusado, Antônio Carlos, executasse a vítima. O mesmo também não se deduz dos depoimentos colhidos em juízo”.
Já Antônio Carlos, ao atirar no policial, teve o objetivo, para o MP, de “defender sua vida e de outros envolvidos”. A juíza Yedda Christina, do 2 Tribunal do Júri, absolveu os dois, no último dia 22, seguindo parecer do MP.
Bicheiro contratou laudo próprio
Contrariando a análise da DH — de que as imagens do circuito interno da boate incriminavam Joãozinho King — a defesa do bicheiro contratou um laboratório de perícias para analisar as gravações. O relatório foi anexado ao processo. Nele, o perito Ricardo Molina de Figueiredo constatou que, apesar da falta de áudio do vídeo, não há como dizer que houve comando do contraventor para que Antônio Carlos matasse o policial Marcelo.
“Qualquer conclusão, baseada nas imagens existentes, seria meramente especulativa e, em certa medida, contraditória com o (pouco) que se permite observar”, atesta. O perito ressalta ainda que o bicheiro estende o braço em direção a Antônio Carlos, mas que o gesto não pode ser interpretado como sinal de comando. Além disso, Joãozinho, diz o documento, se assusta no momento do disparo. Procurada, a Polícia Civil disse que não comenta decisões judiciais.

Um comentário:

  1. O Promotor do caso já teve problemas com recebimento de propina para absolver réu em caso de crime de homicídio em interior do Rio.

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