quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Comerciante fura blitz da Lei Seca e é presa no Flamengo

JORNAL O DIA
 
A comerciante Christiane Ferraz Magarinos, de 42 anos, foi presa após furar uma blitz da operação Lei Seca, no Flamengo, na madrugada desta quinta-feira. Ela foi perseguida, resisitiu a prisão e tentou coagir e subornar policiais do 2º BPM (Botafogo), segundo os policiais. Na 13ª DP (Copacabana), ela disse palavras de baixo calão na presença da delegada e de outros policiais. Agentes da Lei Seca atestaram que a acusada tinha claros sinais de embriaguês.
Ela foi autuada em seis artigos, cujas penas somam mais de 20 anos de prisão. É o segundo caso de motorista que fura um bloqueio da operação na Zona Sul do Rio em uma semana.
Em depoimento, o cabo Carvalho, do 2º BPM, disse que iniciou a perseguição ao Ford Edge branca, placa LTF-4355, dirigido por Christiane, juntamente com uma equipe da Lei Seca, após a motorista receber ordem de parar e furar o bloqueio da operação, na Rua Senador Vergueiro com Praça José de Alencar, por volta das 2h40.
Um quilômetro adiante, a motorista foi localizada no veículo, aguardado a abertura do portão automático da garagem do prédio onde mora, na Avenida Oswaldo Cruz, próximo a residência oficial do comandante-geral da PM, coronel Erir Costa Filho.

Lata e garrafa de cerveja
Após parar na frente do veículo e pedir que a motorista o acompanhasse até a base da operação para realizar o teste do bafômetro, Christiane se desfez de uma lata e uma garrafa de cerveja e ofendeu a operação. Em seguida, ainda segundo o PM, ela entrou e acelerou o veículo. O cabo contou que teve que sair da frente para não ser atropelado. No interior da garagem do edifício, a motorista se trancou no carro.
Ainda conforme o PM, a comerciante argumentou que os policiais ganhavam mal e perguntou quanto seria necessário pagar para ser liberada. Em seguida, ela recebeu voz de prisão. Segundo o cabo Carvalho, Christiane alegou que no país apenas pobre e favelados ficavam presos, que ela era rica, conhecida do prefeito Eduardo Paes e iria prejudicar os policiais, dando um chute em um deles.
Levada para a delegacia, ela teve que ser algemada pelo policial devido ao seu estado alterado. A comerciante não estava de posse de documentos pessoais e do veículo, segundo a polícia.

Acusada vai ser transferida para carceragem da Civil
De acordo com a delegada-adjunta da 13ª DP, Verônica Oliveira, Christiane disse que sofre de depressão, está em tratamento e toma medicação controlada. Ela não respondeu se havia feito uso de bebida alcoólica, mas narrou o fato no exame de corpo de delito que foi submetida no Instituo Médico legal (IML), segundo a delegada.
Em vários momentos na delegacia, ela falou palavras de baixo calão e proferiu ofensas. Lá, ainda conforme depoimento do cabo Carvalho, ela novamente ofendeu os PMs e novamente sugeriu o oferecimento de dinheiro para ser liberada.

Christiane foi autuada por corrupção ativa, coação no curso do processo, resistência a prisão, desacato a autoridade e desobediência. Os dois primeiros são crimes inafiançáveis, com penas que podem chegar a 16 anos de prisão. Somados aos outros, a pena pode ultrapassar os 20 anos.
Um inquérito para atestar a embriaguês ao volante também foi aberto. Imagens da operação, de radares e de prédios da Avenida Oswaldo Cruz serão solicitados. Depoimentos de agentes da Lei Seca atestando as condições visuais de intabilidade física e motora da motorista também serão considerados, conforme a nova lei que rege esse tipo de operação.
"É difícil compreender porque o ser humano nem com tanta divulgação insiste em beber após consumir bebida alcoólica", questionou a delegada Verônica Oliveira. Christiane deve ser transferida ainda nesta quinta para uma carceragem feminina da Polícia Civil. Os advogados dela podem recorrer a um pedido de liberdade provisória.

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