segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Milícia do Morro do Fubá exploraria até venda de pipa e cerol para crianças da favela


No céu sobre o Morro do Fubá, em Campinho, as pipas não param de voar. Por trás da brincadeira de criança — e dos sorrisos dos meninos a cada corte da pipa alheia — porém, está mais um indício do domínio do crime organizado. Na favela, além de cobrarem taxa de proteção e controlarem o fornecimento de água, gás e TV a cabo, os milicianos impõem o monopólio da venda das pipas e do cerol. A polícia investiga a quadrilha que age no local.
De acordo com pessoas de dentro do Fubá, as crianças são coagidas a comprar pipa e cerol num único local da favela. O dono da loja teria envolvimento com os criminosos e, por isso, seria o único ponto que as pessoas têm que comprar o brinquedo. Lá, R$ 1 é o valor cobrado pela pipa com rabiola.
As crianças e adolescentes não são proibidos de comprar em outros locais, mas, caso isso aconteça, os milicianos reclamam.
— Não é uma proibição, mas, por causa das ameaças, ninguém se arrisca a fazer — afirma uma pessoa de dentro da favela.
Durante dois dias, na semana passada, o EXTRA percorreu todo o Morro do Fubá. A equipe de reportagem não foi abordada por ninguém nem percebeu movimentação estranha na comunidade. Apesar disso, moradores e comerciantes alertavam a todo o instante sobre o perigo de andar por ali.
— Eles (os milicianos) que mandam aqui. Fazem o que querem. Não respeitam ninguém — deixou escapar um comerciante, numa das entradas da favela.
— A milícia tomou conta disso aqui faz tempo. E a gente acabou se acostumando. Mas é claro que ninguém escolheria viver com esse controle todo — contou outra vendedora.
Alvo da Draco
A milícia do Morro do Fubá é investigada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Bateau Mouche, Mato Alto, Conjunto do Ipase, Bela Vista, Divino, Barão, Campinho, Chacrinha, Caixa d’Água, Covanca, Quintino e São José Operário também seriam favelas dominadas pelo mesmo grupo.
Taxas e crimes
Segundo as investigações, os bandidos cobram, desde 2004, taxa de proteção de R$ 40 e percentual na venda de imóveis, além de controlar fornecimento de água encanada, transporte irregular, TV a cabo clandestina, máquinas caça-níqueis e venda de botijões de gás. Os milicianos ainda praticariam crimes eleitorais e tráfico de influência.
Operação Blecaute
Em abril de 2011, a Draco realizou a Operação Blecaute e prendeu oito suspeitos de comandar a milícia no local, entre eles o ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco. Em junho do mesmo ano, a Polinter e a Delegacia Fazendária prenderam outros seis suspeitos de integrar a milícia.


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