sábado, 9 de fevereiro de 2013

MP investiga ex-comandante dos bombeiros

DIÁRIO DO VALE

O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) está investigando o coronel bombeiro Márcio Francisco da Silva, ex-comandante do Comando Sul da corporação. A investigação começou em março do ano passado, depois que uma denúncia anônima informou que o oficial tinha participação na empresa Betuel Engenharia Instalações e Empreendimentos.
A promotora Gláucia Santana, que foi responsável pela investigação, apurou que Márcio e a mulher, Almerinda Dias da Silva, eram sócios na empresa. Márcio foi exonerado administrativamente do Corpo de Bombeiros no dia 4 de janeiro deste ano.
O Corpo de Bombeiros, através de sua assessoria de imprensa, confirmou a exoneração e acrescentou que Márcio responde a inquérito na corporação.
"O coronel Márcio Francisco da Silva já havia sido exonerado de sua função, no início de 2013, por rotina administrativa. O comando-geral da corporação instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração de conduta. Comprovadas ações irregulares por parte do bombeiro, ele estará sujeito às sanções previstas em legislação. A corporação possui ferramentas administrativas e punitivas e as cumpre segundo Regulamento Disciplinar e Código Penal Militar", afirma a nota do Corpo de Bombeiros.
Márcio havia assumido o III Comando de Área de Bombeiro Militar (CBA Sul) no dia 27 de novembro de 2011, depois de ter comandado o 22º Grupamento de Bombeiro Militar (Volta Redonda). O CBA Sul inclui as cidades de Barra do Piraí, Barra Mansa, Engenheiro Paulo de Frontin, Itatiaia, Mendes, Miguel Pereira, Paty de Alferes, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Rio das Flores, Valença e Volta Redonda.
O ex-comandante é carioca, tem 50 anos e ingressou no Corpo de Bombeiros em 1º de março de 1983. Antes de assumir o comando em Volta Redonda, ele foi subcomandante, mesmo cargo que exerceu em Barra Mansa, no 7º Grupamento de Bombeiro Militar.
Gláucia disse não estar certa de que a exoneração tenha algo a ver com as denúncias. O coronel está sendo chamado para depor.
A 1ª Promotoria de Justiça e Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital apura ainda se o ex-comandante usa sua influência para aprovar seus projetos à frente de outros pedidos - utilizando, inclusive, subordinados para fins pessoais.
- Se for comprovada a presença destes servidores praticando atos de gestão em empresas, um claro conflito de interesses com a função pública que eles exercem, fica caracterizado o ato de improbidade administrativa. É importante que a Corregedoria do Corpo de Bombeiros tenha uma atuação efetiva sobre esses agentes - disse Gláucia Santana ao jornal "O Globo".
Interdições
Depois do incêndio que provocou a morte de 238 pessoas em Santa Maria (RS), começou uma onda de vistorias em casas noturnas e clubes que levou ao fechamento de diversas casas noturnas - na região e em todo o Brasil. Em alguns casos, proprietários de casas noturnas da região afirmaram terem contratado empresas de consultoria para tratarem dos procedimentos necessários à liberação de seus estabelecimentos.
A promotora, porém, disse ao DIÁRIO DO VALE não ver indícios de que as interdições feitas após a tragédia de Santa Maria tenham alguma ligação com a contratação de empresas ligadas aos bombeiros.
- As vistorias e interdições foram uma reação natural à tragédia. É uma pena que tantas pessoas tenham precisado morrer para que esse trabalho fosse feito, mas ele era necessário - afirmou a promotora, que também não tem conhecimento de outras empresas de consultoria pertencentes a bombeiros na região.


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