domingo, 10 de fevereiro de 2013

PM citado na CPI das Milícias está envolvido na morte de vereador

 O assassinato do vereador eleito Lúcio Diniz Araújo Martelo, de 44 anos, o Lúcio do Nevada (PRP), pode ter o envolvimento de uma milícia identificada em 2008 no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa (Alerj). O policial militar Damião Washington da Silva Ferreira — preso na quarta-feira com o vereador Carlos Macedo (PRP), acusado de ser o mandante do crime — é citado no documento que indiciou 226 pessoas e levou à prisão dois deputados estaduais, três vereadores e Álvaro Lins, deputado cassado e ex-chefe de Polícia Civil. Damião, acusado no inquérito que investiga a execução de Nevada de ser o agenciador e contratante do crime, aparece no relatório da CPI como chefe de um grupo que explora um esquema de TV a cabo e segurança particular no Centro e na Ponta D’Areia.Macedo era suplente de Nevada, morto 20 dias após a divulgação do resultado primeiro do turno das eleições municipais. O delegado titular do 78ª DP (Fonseca), Paulo Guimarães, afirma que a motivação para o crime foi política:
— A investigação aponta para um crime de cobiça. Um interesse político do autor na manutenção de seu cargo como vereador.
Outro citado em CPI pode chegar à Câmara
Entre 30 de junho e 31 de outubro de 2008, o Disque-Milícia — serviço que chegou a ser criado pela Alerj para receber denúncias sobre a atuação de paramilitares no Estado do Rio — recebeu cinco informações sobre a participação de PMs lotados no 12º BPM (Niterói) em esquemas de extorsão a comerciantes e moradores. Segundo as denúncias, o grupo liderado por Damião e por um policial militar identificado apenas como Cristiano cobrava mensalidade de R$ 50 de comerciantes para “garantir” a segurança no Centro da cidade.
O mesmo relatório apontou outro esquema de atuação em Niterói com a participação de um major da Polícia Militar identificado como Wagner e um PM chamado Fábio. Eles atuavam na “segurança privada” do comércio da Ponta D’Areia e exploravam máquinas caça-níqueis e sinais de TV a cabo clandestina. No grupo citado na CPI ainda estão Cleber de Souza Pecinha, o Binho Pecinha; e Adriano Boinha, correligionário de Macedo e terceiro na linha de sucessão na vaga aberta com a morte de Nevada.
— Em 2008, identificamos um embrião de uma milícia se formando em Niterói. Na época, ainda não estava claro o domínio de território. Esse tipo de organização criminosa tem duas características importantes, que é o domínio do território e o poderio econômico oriundo de práticas ilegais. O braço político é consequência dessa situação. Mas o que em 2008 foi identificado como embrião hoje já pode ser uma milícia — afirmou ao GLOBO-Niterói o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI.
A atuação de PMs na exploração de “serviços particulares” no Centro é motivo de preocupação do comércio. Com a condição do anonimato, lojistas contam como é feita a cobrança.
— Eles chegam sem cerimônia, muitas vezes fardados, para pegar a “caixinha”. Eu pago R$ 400 por mês para não ser aporrinhado. Já ouvi história de quem não paga e acaba sofrendo assaltos — disse um comerciante.
Outro comerciante conta que reforça a “caixinha” distribuindo refeições aos policiais:
— Os PMs vêm no início do mês para recolher o pagamento, no meu caso R$ 200. Mas, sempre que passam por aqui, dou comida a eles.
Na quarta-feira, depois da prisão de Macedo, a Câmara decidiu pelo licenciamento do vereador. Em reunião fechada, seus pares definiram que, caso Macedo continue preso até o início dos trabalhos legislativos, marcado para a próxima sexta-feira, ele será licenciado do cargo, sem vencimentos, por até 120 dias. O presidente da Casa, Paulo Bagueira (PPS), explicou que o processo de cassação do mandato só será aberto após uma eventual condenação do acusado.
Chefe de gabinete também está presa
Macedo foi detido em sua casa, em Pendotiba, por policiais da 78ª DP (Fonseca). A prisão preventiva de 30 dias do suplente foi decretada pela Justiça a pedido do delegado Paulo Guimarães. A chefe de gabinete do vereador Macedo, Mariana Soares Queiroz da Silva, já havia sido detida no último dia 29, acusada de envolvimento no assassinato. Na ocasião, durante a operação da Polícia Civil realizada em Niterói, São Gonçalo, Magé, Iguaba Grande e Maricá, para localizar os envolvidos no crime, também foram presos o sargento PM Jair de Souza Neto, lotado no 12º BPM (Niterói), e Renato de Souza Valente, acusados de serem os executores do assassinato.
A polícia prendeu ainda, em flagrante, José Carlos Alves Júnior, que estava numa casa em Magé, alvo de busca e apreensão. Ele portava uma arma e uma carteira falsa da Polícia Civil. Na operação foram apreendidos um cofre, um revólver calibre 38, três pistolas, dez celulares, um radiotransmissor e munição. Marco Antônio Titoneli Barbosa, outro suspeito, continua foragido. O retrato falado dele já foi divulgado pela polícia. Macedo foi transferido para Bangu 8 por ter direito a prisão especial, assim como Mariana; e os policiais estão detidos no Batalhão Especial Prisional (BEP).
Lúcio do nevada foi assassinado em 25 de outubro passado. Ele foi executado a tiros na porta de casa, no bairro de Santa Bárbara. Ele chegou a ser levado em estado grave para o Hospital estadual Azevedo Lima, no Fonseca, mas não resistiu aos ferimentos.
— Há várias pessoas implicadas, a começar pelo vereador Carlos Macedo, que é o mandante interessado nesse crime. Sua chefe de gabinete foi contratante de dois PMs já detidos (Damião e Jair). Eles são os agenciadores. Conseguiram equipamentos, veículos, telefones, bem como a contratação dos executores, oriundos de Magé — explicou o delegado.





Um comentário:

  1. Com o reajuste (26%) que será concedido no mês de março de 2013, o Soldado da PMERJ passará a ganhar apenas R$ 2.077,00, valor muito abaixo (R$ 597,88) do SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO estimado pelo DIEESE, que é de R$ 2.674,88 (dois mil, seiscentos e setenta e quatro reais e oitenta e oito centavos). A referida divulgação visa garantir o atendimento das necessidades vitais básicas, previstas no Artigo 7º, Inciso IV, da Carta Magna. O Governo do Estado do Rio de Janeiro poderia acabar com os Ranchos da PMERJ e pagar um auxílio alimentação no valor de R$ 650,00 (seiscentos e cinquenta reais), através de um Cartão-benefício voltado ao pagamento das refeições (Cartão Refeição Visa Vale ou Sodexo). Esta seria uma prova de honestidade do Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Rio de Janeiro que daria mais DIGNIDADE ao POLICIAL MILITAR.

    http://trovatore.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html

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