sexta-feira, 28 de junho de 2013

BAHIA - PM usa agentes infiltrados para monitorar protestos, diz capitão

 
Policiais militares da Bahia se infiltraram nas redes sociais depois das manifestações nacionais nas últimas semanas e participam clandestinamente de reuniões dos grupos que organizaram as passeatas para filmar e fotografar pessoas identificadas como “lideranças”. A revelação foi feita em entrevista à Agência Pública por um capitão há duas semanas na Academia da PM, onde acontecem os cursos de formação para policiais civis e militares para a Copa de 2014. Embora afirme considerar esse tipo de operação “normal”, o oficial pediu para que seu nome não fosse revelado por temer punições do comando da corporação. Segundo o capitão, o acompanhamento dos movimentos pela Coordenadoria de Missões Especiais (CME), a central de inteligência da PM-BA começou a ser realizado antes mesmo do primeiro protesto em Salvador, no dia 17 de junho. O serviço passou a vigiar a troca de informações pelo Twitter e Facebook. Agentes criaram perfis falsos e se inseriram em comunidades com objetivo de obter informações sobre os eventos marcados, os locais das reuniões preparatórias, o trajeto das passeatas e para identificar os possíveis líderes. “A gente busca saber quem é o líder, porque se ele for neutralizado o movimento perde a cabeça. Isso é estratégia militar para qualquer situação do gênero: a gente identifica para ter noção de espaço, coordenação, de norte”, explica o oficial. Nos protestos recentes, segundo ele, os líderes não se apresentam, o que dificulta a atuação da PM. Outros alvos de atenção são definidos através de “bandeiras sociais”, “dos partidos políticos” a que pertencem e pela atitude dos manifestantes, “se as pessoas estão escondendo o rosto, ou se declaradamente se apresentam e como agem”, detalha. Com os dados e fotos levantados pelos infiltrados, um grupo específico de policiais faz a “análise técnica” para planejar as ações na hora do conflito. ele explica: “Hoje no Brasil não existe possibilidade de prisão para averiguação. Então, o que fazemos é dar corda para essas pessoas que identificamos como suspeitas. O infiltrado sugere algo, a liderança não acata, pode também incitar atos. A ideia é esperar que ela cometa ações previstas em lei, como incitação à violência, ou outros atos criminosos, gravar e ter, com isso, respaldo jurídico para a sua responsabilização”, afirma o capitão.

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