sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Comandante do Cfap afirma que unidade ‘não é creche’


Durante audiência pública na Assembleia Legislativa (Alerj) para esclarecer as circunstâncias da morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, o comandante do Centro de Formação e Aprimoramento de Praças (Cfap), coronel Nélio Monteiro afirmou que lesões fazem parte da rotina da instituição, por se tratar de um “curso com objetivo de formar policiais que atuarão nas ruas”. O aluno foi internado após treinamento no dia último 12 e morreu dez dias depois.
— O Cfap não é creche. É uma instituição de formação policial. O treinamento fornecido lá dentro é condizente com essa formação — disse o oficial.
Após a declaração, o presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, Vanderlei Ribeiro, pediu a palavra para discordar do coronel.
— O Cfap não é uma creche, mas também não é casa de tortura. O problema é a cultura militarista da PM.
Também durante a audiência, o diretor geral de Ensino da PM, Antonio Carlos Carballo Blanco, afirmou que nenhum dos oficiais que dava instrução à turma de Paulo era especialista em Educação Física. Recrutas da turma disseram  que foram obrigados a ficar sentados e fazer flexões sobre o asfalto quente.
— O treino não era de Educação Física. Em tese, eles estavam tendo uma instrução de ordem unida, um treino militar de formação e marcha. Por isso, não precisavam ter formação em Educação Física — afirmou Carballo.
Convidados, os cinco oficiais investigados no Inquérito Policial Militar (IPM) não compareceram à audiência. O deputado estadual Iranildo Campos (PSD) vai propor à Comissão de Segurança Pública que o capitão Renato Martins Leal da Silva e os tenentes Sérgio Batista Viana Filho, Jean Carlos Silveira de Souza, Gerson Ribeiro Castelo Branco e Paulo Honésimo Cardoso da Silva sejam convocados para depor. Se a medida for aprovada, eles podem ter que comparecer sob ordem judicial.
Durante a audiência, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) perguntou ao coronel Carballo qual o significado da palavra “suga”, usada por recrutas para explicar o que aconteceu no treinamento que terminou com a morte de Paulo Aparecido.
— Suga’ é trote, não é treinamento. Ela já foi mais comum. Faz parte de um ritual de iniciação, mas não é autorizada pelo comando — explicou o coronel.
Projeto de lei: emergência obrigatória
Um projeto de lei proposto pelo deputado Iranildo Campos dispõe que todas as escolas de formação tenham uma unidade de atendimento médico de emergência. Em visita ao Cfap, a equipe do parlamentar constatou que a unidade não tem um médico nem equipamentos de resgate, como um desfibrilador.
Ontem, a PM informou que a recruta que deu entrada no hospital da corporação com crise renal em setembro prestou depoimento a oficiais negando ter sido internada por conta de um treinamento no Cfap. Segundo ela, a internação se deu por descuidos com a hidratação. Em 11 de setembro, uma colega de turma relatou em documento arquivado no Cfap a ordem de um oficial para que o pelotão sentasse no asfalto quente.

16 comentários:

  1. Senhor coronel Nélio Monteiro, o CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) ‘não é creche’, mas também não é uma casa de tortura, é uma unidade de ensino. A formação policial-militar precisa ter um treinamento técnico voltado para a preservação da ordem pública, tendo como valor maior a dignidade humana, pois as ações do Policial Militar precisam estar pautadas dentro da Legalidade.

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    1. "A omissão em defender o que é moralmente certo constitui o prelúdio de vir a ser vítima do que é criminalmente errado."

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  2. Os oficiais que cometeram os crimes de lesão corporal e de homicídio devem ser punidos com rigor! Por acaso eles fizeram flexões junto com os instruendos? A punição mais justa para os oficiais seria a demissão. Os acusados devem ser condenados à perda da função pública por terem torturado os alunos do CFSd (recrutas).

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  3. Alunos ainda são civis em período probatório, não são militares, cursos específicos de sobrevivência e outros mais dão a voluntários que já são militares! Como formar policiais cidadãos se são tratados como guerreiros do antigo Vietnã?

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  4. ...e o pagamento do PROEIS SEEDUC até agora nada.

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  5. Cfap centro de formacao de monstros .policiais expostos ao ridiculo torturados tanto fisico como pisicologicamente o resultado esta ai nas ruas tortura agressao assassinatos pois foi assim que fomos adestrados pelos Sr Grandes Oficiais que como sempre agora estao querendo tirar o rabo sujo de voces da reta essa e a policia 200anos de covardia

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  6. -Vai se fuder Coronel de Merda!!!!
    -Fazer Covardia Faz com um monte de Chefes de Familia faz parte do curso?
    -Será que agora que a Merda voltou para o rabo será que vai ter cú para mandar apurar essa atrocidade seu Filha da Puta

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    1. concordo com cada palavra esses oficias filho da puta que nao servem para porra nenhuma

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  7. Há uma questão que não está sendo levado em conta. Pergunto: se os oficiais não são formados em educação física,como podem dar instrução aos alunos? Não seria o sr cmt do cfap co-responsável pela morte do aluno? tbm não seria motivo para sua exoneração do cargo por sua omissão ou inépcia? analisem.

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  8. Isso é sério!? Sério mesmo que o Coronel está tentando retirar o fato de que o recruta foi assassinado numa suga imbecil, sem propósito e sem preparo algum? Será que se esse recruta fosse filho de um coronel, esses tenentes já não estariam no BEP presos e seriam jogado ao TJ para que fossem excluídos? As vezes tenho vergonha de minha profissão, após ouvir um coronel despreparado falando asneiras.

    Enquanto isso, a família desse recruta torturado e assassinado, continuam a espera de justiça, com os oficiais assassinos primeiramente expulsos e depois presos!

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  9. Ridículo este senhor!!!! O militarismo só serve pra pessoas incompetentes como este senhor poderem mandar!!!!!! Pronto falei.

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  10. O COMANDANTE DO CFAP TEM QUE ENTENDER QUE O CORPO HUMANO TEM UM LIMITE DE QUASQUER SUPORTAMENTO FÍSICO. O QUE ACONTECEU COM O RECRUTA QUE FALECEU FOI QUE ELE NÃO SUPORTOU A CARGA DE EDUCAÇÃO FÍSICA QUE LHE FOI IMPOSTA.

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  11. O que é que está acontecendo com a PMERJ que tanto cobra um policiamento comunitário, que tanto fala em polícia cidadã e polícia pacificadora, submeter alunos a seção de tortura, será que é tão difícil de entender que o policial é um ser de carne e osso, que também sente frio e calor. Meu Deus do céu, qual a necessidade desse costume ridículo, submeter seres humanos a tudo isso e depois ainda ter que morrer pela sociedade.

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  12. PMERJ

    7. CPROEIS – COORDENADORIA DO PROGRAMA ESTADUAL DE INTEGRAÇÃO NA
    SEGURANÇA –MUDANÇAS NO RAS - DETERMINAÇÃO

    Este Comando atendendo a solicitação da Coordenadora do CPROEIS, determina aos Comandantes
    das Unidades constantes da tabela abaixo relacionada, que a partir do dia 04DEZ2013, passem a escalar seu
    próprio efetivo de folga em 50% das vagas do RAS de forma compulsória, cabendo ao CPROEIS escalar os
    outros 50% ainda no critério de voluntariado.
    Para tanto, os respectivos P3, deverão criar a partir de 04DEZ2013, eventos que deixem claro o
    emprego do efetivo COMPULSÓRIO e do efetivo VOLUNTÁRIO, sendo OBRIGATÓRIA a criação de eventos
    diferentes para cada um, mesmo que a missão seja a mesma, assim como os horários e locais, lembrando que os
    eventos porventura já criados a partir do dia 04DEZ2013, sem essa padronização, serão desvalidados.

    E não vai ser pago...

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  13. O COMANDANTE DO CFAP AFIRMOU QUE LÁ NÃO É CRECHE PORQUE NÃO FOI COM SEU FILHO.

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  14. Os oficiais cometeram excesso sim, mas:

    - Concurso p/ 3.000 vagas coloca mais de 20.000... Não tem como exigir qualidade desses recrutas.

    - Como já entraram na corporação sem o cumprimento fiel do edital (3.000 vagas) normalmente não se preocupam em atender às normas administrativas, com a certeza da impunidade.

    - Exame físico medíocre no processo seletivo. Esse exame não garante que o condicionamento físico do candidato é compatível c/ a atividade policial.

    Sem demagogia, apesar do crime cometido, não podemos fechar os olhos p/ o descaso da administração pública c/ a PMERJ. Os policiais tem que ser qualificados ao ponto de serem capazes de atuar com eficiência, mesmo em condições de desconforto físico, emocional e psicológico.

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