domingo, 10 de novembro de 2013

Policiais militares se sentem escravizados no trabalho, diz pesquisa

Tese de doutorado revela que estrutura militarizada é propícia para problemas nas relações com superiores

  
São Paulo - Policiais que se consideram tratados como escravos ou prisioneiros, trabalhando sob constante pressão e a base de calmantes. É esse o cenário a que muitos PMs estão submetidos em seu dia a dia e que aparece retratado na tese de doutorado da socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) Viviane de Oliveira Cubas.
Para o trabalho, apresentado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), ela entrevistou 15 policiais e analisou as queixas registradas na Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo entre 2006 e 2011. Neste período, foram 1.716 denúncias feitas somente por policiais, sendo que 95,7% do total são reclamações de integrantes da Polícia Militar e apenas 4,1% da Polícia Civil.
A explicação para a diferença no número de queixas de seus integrantes pode estar no fato de uma corporação ser militarizada, e a outra não. “Os números mostram o quanto essa estrutura acaba propiciando relações bastante tensas entre os policiais”, explica Viviane.
O resultado da análise comprova o problema de tratamento que existe entre subordinados e chefes na Polícia Militar. Cerca de 80% das queixas tratam de “problemas nas relações de trabalho” e quase metade (39,5%) se refere apenas a assédio moral ou escalas de trabalho.
Nas denúncias de abuso, por exemplo, a maior parte é contra oficiais superiores hierarquicamente. “O que dá pra dizer é que todo superior, a partir do momento que tem um pouco mais de poder, abre brecha para exercer força sobre subordinados”, argumenta.
Os abusos
Dentre as queixas as quais a socióloga teve acesso, há uma, por exemplo, que relata as metas para prisões em flagrante estabelecidas por um comandante que, quando não cumpridas, resultavam na transferência de policiais ou em banhos com água fria e fardados. A denúncia informa ainda que quatro policiais contraíram pneumonia por conta do castigo. Em outra, um oficial relata que, como forma de punição, um major teria obrigado os policiais a pular em uma lagoa com barro e excrementos de animais.
Sobre as escalas, as reclamações normalmente são de sobrecarga nos horários de trabalho. Por várias vezes, os policiais enfatizam cansaço físico e mental após várias horas ininterruptas em serviço, o que aumenta as possibilidades de erros ou agressividade contra cidadãos.
Há denúncias em que policiais alertam para a possibilidade de colegas serem violentos com seus superiores. Em dois casos extremos, um policial teria disparado um tiro dentro de uma base da Polícia, devido ao excesso de trabalho, e, em outro, oficiais teriam presenciado um colega apontar a arma para a própria cabeça.
Muitas vezes, o estresse é provocado pelos próprios superiores. A pesquisadora cita uma denúncia na qual um major e um capitão tinham escalado a tropa para trabalhar na segurança das estações do metrô, entre 9h e 22h, sem meios de comunicação, sem autorização para almoçar, beber água ou ir ao banheiro, além de terem colocado um oficial para vigiar, com a possibilidade de puni-los caso desobedecessem às ordens.
Questões emocionais
Na fase em que entrevistou policiais, a pesquisadora abordou a questão dos desvios de conduta, como uso excessivo da força e corrupção. Apesar de os PMs condenarem veemente este tipo de comportamento, a maioria dos que aceitaram participar do estudo viu problemas emocionais - não de caráter ou treinamento.
“Eles entendem que neste tipo de situação o policial saiu do seu controle por questões emocionais. Isso foi um pouco surpresa para mim. Achei que eles tivessem outra percepção disso. Qual a estrutura que os policias recebem para manter o controle emocional? Isso não aparece na fala dos PMs. Parece que a instituição cumpre seu papel. Acho que eles não se dão conta disso”, opina Viviane.
A pesquisa não abordou como os abusos, a carga de trabalho e a infraestrutura influenciam na conduta do PMs durante o policiamento ostensivo, mas, na opinião da acadêmica, os números e os depoimentos podem ser sinais disso. “Isso é uma coisa que surgiu e que tenho vontade de estudar. O quanto esse modelo de tratamento, muitas vezes desumano, desigual e autoritário vai refletir do batalhão para fora? Se internamente eles trabalham numa ótica em que não são iguais, sempre alguém vai estar acima de alguém, como isso vai refletir depois na rua para a garantia de direitos de igualdade? Como desse jeito eles toleram quem questiona a atitude deles? Não é uma coisa que explorei, não estou afirmando, mas é muito provável que isso vá para fora dos batalhões”, conclui.

14 comentários:

  1. aja como escravo,que sera tratado como tal...

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  2. Oficiais, o câncer da PM.
    Sabe porquê eles são contra a desmilitarização?
    Porque nunca foram líderes de nada e tem medo de perde o mando.
    Só serão respeitados se derem respeito!

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    1. Só deveria ser oficial que já foi soldado um dia!

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  3. Sério que aceitam isso mesmo? Se aceitam esse tratamento, estão tão errados quanto eles...

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  4. GRP A ESCRAVIDÃO CONTINUA, ACABOU EM 1888 PARA OS ESCRAVOS!!!!!

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  5. Escravidão só se for em São paulo,tenho um amigo pm que diz que basta dar um faz me rir para os tenentes e comandantes de cia que melhora a escala.No bombeiro em Macaé é até pior,solta um faz me rir que o bombeiro nem cumpre escala,a maioria trabalha em segurança.

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  6. Nossos Maridos da Segurança Pública são Escravos sim,e quando morrem passamos sufoco,se não passarmos fome,pois Bandeira,Salva de Tiros,Homenagens depois de mortos,não amenizam nossas dores e muitos menos os Direitos Humanos vão nos visitar,façam iguais aos Policiais e Bombeiros de Brasília,vão parar Quarta Feira,dia 13.11.2013,estão revoltados iguais a toda Segurança Pública a Nível Brasil e não aceitam mais Gratificações,enquanto no Rio de Janeiro,nossos Maridos ficarem satisfeitos por ganhar esmolas de Gratificação,quando morrem as Gratificações nós não vemos mais, ai nossos filhos começam a pedir e não temos de onde tirar,vejam no BLOG DO ANASTÁCIO, O SUB-TEN PMERJ,RICARDO PATO,faz um desabafo revoltado,por favor Maridos Pmerj Acordem,Gratificações não são Salários,basta ver quando ganham as Gratificações de passagem e a outra ajuda de custo,quando baixam hospital,tiram dos contracheques,na hora que nós Esposas mais precisamos,na Doença,tiram esses direitos,sabem porque?Porque é GRATIFICAÇÃO,Esposas façamos nossos Maridos da PMERJ se darem mais valor.CHEGA DE ESMOLAS E BICOS,QUEREMOS NOSSOS MARIDOS CONOSCO E NOSSOS FILHOS.

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    1. parar não é solução!! O melhor é fazer a politica de tolerancia zero, encher as delegacias de ocorrencia e mostrar a fragilidade do sistema e o quanto esse Sergio Cabral não soube planejar!!! As eleições estão chegando vamos procurar alguem que realmente vai levar a policia a sério!

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  7. TODO ESTUDO ESTA CORRETO ESCALA SUB HUMANA, SALARIO FATIADO POR GRATIFICAÇÕES, UNS TEM OUTROS NÃO, ORDENS ABSURDAS, JULGAMENTOS MONTADOS ETC ETC ETC, UM DIA UM CERTO COMANDANTE DISSEQUE IRIA CORRIGIR UMA DESIGUALDADE, A ESCALA 24X48, QUE ELE CLASSIFICOU COMO DESUMANA E FOI MUDADA E HJ A ESCALA QUE TEMOS É A DESUMANA 24X48... E SEGUE AS COBRANÇAS A SEGURANÇA MESMO NINGUEM FAZ TA TD MUNDO ESTRESSADO E CANSADO Q SE F. O PI É ISSO QUE ESCUTO SEMPRE.....

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  8. Sou Cabo da PMERJ e estou super desmotivado na minha profissão, assim como milhares de outros colegas que passam por tudo que passamos no nosso dia a dia. E quando vem algo para motivar a tropa, não é levado a sério como deveria! Trabalhamos duro para reduzir os índices na área do 40º BPM, no 1º semestre e fomos contemplados com a 2ª colocação, mas até agora não recebemos a premiação. E já estamos quase no final do 2º semestre! Até quando seremos deixados para segundo plano? Será que a Segurança Pública não merece uma atenção maior? Nem uma satisfação nos dão. Estamos nos sentindo ultrajados, humilhados, tendo que mendigar um prêmio já conquistado. Se não for da competência do ISP, por favor, repassem esta reclamação a quem de direito, não ignorem simplesmente, o que é muito cômodo, mas não condiz com a retórica da atual política de Segurança Pública. A minha parte eu já fiz e me sinto muito honrado por isso.
    Ass. Um policial desmotivado, acima identificado...

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  9. Saiba que a população está com vocês!!! Só não percam a razão! Vamos lutar nas próximas eleições para um governador que leve realmente a policia a sério!!!!!!!!

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  10. Essa tem que ser a resposta da policia para o descaso do estado!!! http://blogs.odia.ig.com.br/justicaecidadania/2013/11/11/um-monte-de-m-2/

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  11. o mais dificil é ter um canditado serio p/ gov...agora chega o fim de ano é uma pedição ou seja uma determinação p/ que arrumen isso ou aquilo confraternizar o que ,é claro que temos nossos amigos nos bpm e cias mais ir em festa é muito dificil ,acho que nunca vamos consiguir uma escala descente ,tem estado com efetivo menos da metade do nosso e tem escala 24/72 porque não podemos tambem,um forte abraço e que Deus possa nos abençoar no proximo ano ...

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  12. todos sabem que festa de final do ano sempre foi assim so vai puxa saco e pm mendigo que se vende por um salgadinho e um copo de guarana convenção

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