terça-feira, 11 de março de 2014

A falência do modelo de Segurança Pública



Quero me dirigir especialmente aos policiais militares que estão no serviço ativo. Afinal de contas, o hino da Polícia Militar diz: “Ser policial é simplesmente uma razão de ser, é enfrentar a morte, mostrar-se forte no que acontecer”. Ainda diz mais: “Em cada soldado tombado, mais um sol que nasce no céu do Brasil”. Se esta assertiva for verdadeira, não sei quantos sóis já temos no nosso firmamento, porque o número de policiais militares mortos é muito grande a cada ano.
Agora, eles querem dizer que em janeiro, fevereiro e início de março, somente neste período, o número de policiais militares mortos se aproxima do número de mortos em todo o ano de 2013, o que é uma inverdade. O número de policiais militares mortos em 2013 é muito maior. Não são 18 policiais militares mortos no ano de 2013, em ato de serviço ou pela simples condição de ser policial militar. São muitos! Não sei por que essa tentativa de ocultação.
Os policiais militares são empurrados para ações policiais de alto risco e, obviamente, no sentido também da auto proteção, vão praticando barbaridades e arbitrariedades. Deveriam ser controlados? Deveriam, mas a política de segurança pública prega o confronto; é a visão militar da eliminação de um inimigo. Se existe uma guerra permanente contra, entre aspas, a tal da bandidagem, a consequência da guerra são baixas de ambos os lados, e os policiais militares vão sendo mortos.
Policiais militares são mal remunerados, têm escalas de serviço escorchantes, um assédio moral insuportável, e vêm sendo igualmente vítimas, como os moradores das comunidades que eles são levados a reprimir. Os policiais sofrem com doenças de fundo nervoso, decorrentes do estresse profissional – não existe ser humano que suporte esse tipo de realidade –, e passam a responder a processos criminais. São muitos os policiais militares sub judice, como dizem. Ou seja, ou matam, ou morrem; ou ferem, ou ficam feridos; ou adoecem, ou ficam sub judice. Esta é a realidade desse modelo que desgraça não só a vida dos profissionais da Segurança Pública, mas também de muitas comunidades.
O Governo, contudo, proclama o sucesso. Não sei onde pode estar o sucesso em uma política de Segurança Pública que vitima tanta gente, sejam agentes públicos ou pessoas das comunidades, sem falar nas constantes balas perdidas. Aí, as comunidades se revoltam e manifestam sua revolta através de atos públicos, incendiando ônibus – isto é o desgoverno, a falência completa da autoridade. Com isso, temos uma situação decorrente do equívoco, ou da farsa: a Polícia Militar não pode mais fazer o policiamento ostensivo normal. Não encontramos mais patrulhas pelas ruas; as chamadas ‘cabines’ estão todas desocupadas, pois os próprios policiais militares estão submetidos a riscos; quando agem isoladamente ou em pequenos grupos, passam a ser alvejados.
E os policiais civis? Onde está a investigação criminal? Em operações de grande vulto. E sabem qual é a alegação? O cumprimento de mandados de prisão como justificativa das operações de grande vulto, fazendo com que a Polícia Judiciária ou a polícia de investigação abandone sua verdadeira destinação; confundiram controle da criminalidade e passaram a apostar na eliminação de um criminoso adredemente selecionado. Aí não tem solução, a população vive essa tragédia.
Agora, depois de muito tempo, estão demonstrando algum clamor, algum sentimento ou algum ressentimento, em face da morte de policiais, principalmente policiais militares; tivemos anos a fio em que eram mortos por ferimentos de armas de fogo aproximadamente 150 policiais por ano. E vêm agora com mentiras, dizendo que em 2003 morreram apenas 18 ou 19 policiais militares. Isto não é verdade! Então, estou entrando com um requerimento de informações e quero saber, pelo menos a partir de 1º de janeiro de 2007, primeiro dia de governo do Sr. Sérgio Cabral, quantos policiais militares morreram a cada mês, inclusive a relação nominal, com posto, graduação e a unidade onde estavam classificados. Vamos pegar a relação nominal dos policiais militares do serviço ativo que foram mortos em ato de serviço ou pela simples condição de policial militar – foi identificado como policial militar em um assalto e foi assassinado. Será que isso também não é desculpa para demonstrar claramente que os policiais militares estão sendo perseguidos e estão sendo mortos?
A falência do modelo de Segurança Pública dessa política desumana é que tem que ser debatida pelo Estado do Rio de Janeiro. O sofrimento da população, especialmente da população das favelas, é muito grande, que só é acompanhado pelo sofrimento da família do policial militar.

6 comentários:

  1. falou tudo e muito mais

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  2. Não podemos nos esquecer que pois ativos de hoje se sobreviverem à "guerra" serão os inativos de amanhã. Que estão esquecidos. Há na mesa do Governador desde o mês de agosto um documento apenas esperando sua assinatura que beneficiaria uma parcela maior de inválidos (lei 3.527). Não nos esqueçamos dos inativos!

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  3. Os PMs arriscam suas vidas para proteger a sociedade, mas suas famílias passam necessidades. O Governo do Estado do Rio de Janeiro precisa conceder mais 36,228% de reajuste salarial para a PMERJ e o CBMERJ em 2014, para ficar em dia com suas obrigações, pois concedeu apenas 11,18%.

    O salário líquido de um Soldado da PMERJ é de R$ 2.123,26 (dois mil, cento e vinte e três reais e vinte e seis centavos), valor insuficiente para suprir as NECESSIDADES VITAIS BÁSICAS dos Policiais Militares, previstas no artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Salário Mínimo Necessário divulgado pelo D.I.E.E.S.E. em Abril de 2013 foi estimado em R$ 2.892,47 (dois mil, oitocentos e noventa e dois reais e quarenta e sete centavos).

    A defasagem do salário do SD PM ou BM no RJ está em R$ 769,21, ou seja, é necessário conceder um novo reajuste, de 36,228%, para que a família do PM não passe necessidades. Um Estado que possui a 2ª MAIOR ARRECADAÇÃO de impostos do país não pode pagar tão mal! Como vamos sediar a COPA DO MUNDO de 2014 e os JOGOS OLÍMPICOS de 2016 se não conseguimos nem pagar um SALÁRIO DIGNO aos funcionários públicos que prestam SERVIÇOS ESSENCIAIS à população (Bombeiros e Policiais Militares)??? A solicitação visa apenas atender o que está previsto na Carta Magna!

    "Como uma sociedade vai garantir a paz, a segurança pública e a justiça criminal com policiais envolvidos em jornadas estressantes e perigosas em ambientes com armas de guerra e poder financeiro corruptor, sem poder conviver com a famílias os momentos de folga e lazer, necessários à sua saúde mental, boas condições técnicas e acertadas decisões de inopino?

    A saúde emocional, psíquica, física e financeira dos policiais brasileiros deveria ser prioridade na atenção dos poderes governantes e da sociedade, já que são estes homens e mulheres que fazem a primeira linha de defesa contra o crime e contra a violência na garantia de direitos."

    BENGOCHEA

    O GOVERNO FEDERAL DEVERIA CRIAR O PISO NACIONAL DA SEGURANÇA PÚBLICA NO VALOR DE R$ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS) MENSAIS, POIS OS POLICIAIS PRECISAM RECEBER UM SALÁRIO COMPATÍVEL COM A RESPONSABILIDADE E A IMPORTÂNCIA DAS FUNÇÕES QUE EXERCEM. SÓ ASSIM OS GOVERNOS ESTADUAIS OFERECERÃO QUALIDADE NOS SERVIÇOS PRESTADOS. A SEGURANÇA PÚBLICA É UM SERVIÇO ESSENCIAL!

    A POLÍCIA MILITAR DO ESTADO RIO DE JANEIRO PRECISA LUTAR PELA VALORIZAÇÃO DE SUA TROPA. O salário-base dos garis (R$ 1.100,00) está bem maior do que os soldos dos Militares Estaduais. Os garis já devem estar ganhando mais do que os Soldados da PMERJ e do CBMERJ! Eles ainda recebem 40% de insalubridade e R$ 20,00 por dia no vale-refeição.

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  4. Morrer é lucro. Eu fui alvejado em ato de serviço ,fui reformado por invalidez sem poder prover . Sabe o resultado? eu era soldado vou morrer soldado,apesar da minha reforma ter sido compulsória nunca mais terei direito a promoções ,não recebo um centavo de gratificação , minhas despesas pessoais dobraram em virtude dos cuidados especiais que necessito, pago aluguel ," não tenho casa própria",passo quase fome pra pagar uma escola particular pro meu filho,não sabemos o que significa lazer ,depois de reformados pra alguns colegas não somos mais policiais ,pois não somos tratados como tal. Depois de viver essa covardia e abandono ,como posso julgar quem é miliciano ou usa outros métodos pra arrumar dinheiro ,não os julgo mais ,pois a sociedade só te valoriza pelo que você tem ,não importa quem você é. O fato de ter sido honesto e quase ter morrido em combate nenhum reconhecimento me trouxe,nem do estado ,nem da sociedade. Agora para os milicianos e corruptos que ostentam carrões ,moram bem e penduram ouro pelo corpo ,esses são respeitados e queridos . Agora o que me resta e carregar a minha cruz até a minha segunda morte.

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  5. Muito ruim essas coisas que estão acontecendo, mas isso em nada tem a ver com o governo, o efetivo de policiais melhorou bastante...

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