sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Secretário de Segurança assina expulsão de major da PM condenado por ligação com milícia

EXTRA
Dilo Pereira Soares Júnior, então acusado de ser um dos chefes de uma milícia que atuava em Rio das Pedras, entregou-se à polícia em dezembro de 2009. Cinco anos depois, o governo do estado está prestes a, finalmente, oficializar a exclusão do major dos quadros da corporação. Nesta quinta-feira, outras duas expulsões foram publicadas no Diário Oficial: a do major Antonio Ricardo da Silva Ramos, que responde por ligações com uma quadrilha que explorava máquinas caça-níquel e o transporte alternativo em São Gonçalo e Niterói; e a do tenente Ricardo Araújo Delgado, condenado em primeira instância pela morte de dois estudantes, também em Niterói.
A demora até a confirmação da demissão do major Dilo reforça a diferenciação do tratamento dado pela PM a oficiais e praças que cometem crimes — estes últimos chegam a perder o cargo em menos de um mês. O próprio comandante-geral da corporação, coronel José Luís Castro Menezes, reconheceu, também nesta quinta, que esse processo precisa ser revisto.


Atualmente, os PMs de patentes mais baixas podem ser demitidos por decisão única do comandante-geral, após uma rápida tramitação em que expõem sua defesa. Já tenentes, majores, capitães, tenentes-coronéis e coronéis têm a exclusão submetida primeiro ao secretário de Segurança, que remete sua posição ao Tribunal de Justiça. Graças aos eventuais e corriqueiros recursos, o caso pode se arrastar por anos, com oficiais muitas vezes já condenados recebendo salários normalmente.
A expulsão do major Dilo, por exemplo, teve, segundo o governo do estado, 26 tramitações dentro e fora da Secretaria de Segurança. Até a noite desta quinta-feira, o policial constava como na ativa na página de “Consulta às Remunerações” da Secretaria estadual de Planejamento e Gestão (Seplag). Desde que foi preso, no fim de 2009, a PM desembolsou mais de R$ 956 mil com seus salários — considerando apenas a remuneração mensal, sem benefícios adicionais.


Ao lado de outros 11 policiais, Dilo foi condenado por formação de quadrilha armada no início de 2013. Ele e mais dois agentes também acabaram enquadrados pelo crime de lavagem de dinheiro — na soma, o major pegou pena de 16 anos e seis meses de prisão. De acordo com o advogado Renato Tonini, que o representa no caso, Dilo recorreu da sentença e aguarda o prosseguimento do processo em liberdade.
Este não foi o único crime pelo qual major Dilo foi acusado durante sua trajetória na corporação. No inicio da década de 90, seu nome constou numa lista de supostos beneficiados por propinas do jogo do bicho. Além da ligação com milícia e jogo do bicho, pela qual não foi condenado, o major Dilo é réu num processo sobre um homicídio ocorrido em 1997, O caso foi desarquivado em abril deste ano e tramita no 1º Tribunal do Júri da capital. Ainda não há data para o julgamento.
Morte de jovens
O agora ex-tenente Ricardo Araújo Delgado também tem mortes imputadas na sua conta. Em 2012, a Justiça o considerou culpado pelo assassinato de dois jovens, de 15 e 16 anos, na saída de um show de música. Dois praças teriam ajudado o oficial a forjar um auto de resistência.
Formação de quadrilha
Em 14 de abril de 2010, Antonio Ricardo da Silva Ramos foi preso por agentes da Corregedoria Geral Unificada e da PF. Ele, outros cinco PMs e um policial civil eram acusados de integrar a quadrilha chefiada por Wilson Alvez, o Moisés, então presidente da Unidos de Vila Isabel.

6 comentários:

  1. engraçado esse bandido esta a disposição da dgp a aproximadamente 15 anos ( QUINZE) e só agora será sumariamente expulso pqp e o mesmo está simplesmente RIQUISSIMO ou seja pouco se lixando para o lixo chamado pmerj a sua cama ja está feita.

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  2. Não se varre uma escada de baixo para cima, a limpeza da Corporação tem que começar por cima!!
    A PMERJ tem que demitir todos os Oficiais Superiores corruptos, depois os Oficiais Intermediários corruptos e, posteriormente, os Oficiais Subalternos corruptos, para que tenhamos HONESTIDADE na Polícia Militar! Praças só cometem desvios de conduta porque são chefiados por pessoas sem caráter, corruptas...

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    1. Você está enganado meu amigo, o praça que comete desvio de conduta é aquele que não tem retidão de caráter, você está colocando a culpa nos maus chefes, isso é ridículo, ninguém é obrigado a ser corrupto, safado, indisciplinado, o que falta na verdade é retidão moral e vergonha na cara.

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  3. O Secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, precisa rever esse processo. Oficiais criminosos (já condenados pela Justiça) não podem continuar nos quadros da Corporação!

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  4. Gaeco está na cola de outros dois Batalhões da PMERJ

    Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do MP, vão pedir a abertura de inquéritos para apurar o recebimento de propina por policiais do 41º BPM (Irajá) e do Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE). A prática foi revelada durante a investigação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (Ssinte), que terminou com a prisão de 24 PMs do 14º BPM (Bangu) — entre eles o então comandante Alexandre Fontenelle. Em depoimento anexado ao inquérito, a que o EXTRA teve acesso, um empresário chega a afirmar que depositava R$ 200, semanalmente, na conta de um PM do BPVE.

    No documento, o homem relata que é dono de uma empresa que trabalha com locação de máquinas para a construção civil. Ele afirma que teve que começar a realizar os pagamentos depois que um dos caminhões de sua empresa foi abordado por uma dupla de policiais na Av. Brasil. Na ocasião, “os policiais estiveram na empresa e ficara acordado um pagamento periódico para que não tivesse mais esse tipo de problema”. Ainda de acordo com o relato do homem, “após o início do pagamento, os caminhões da empresa nunca mais foram abordados”. A testemunha reconhece por foto os policiais.

    Já o 41º BPM é citado numa escuta telefônica pelo cabo Wilson Eduardo Nogueira Santos, preso na primeira fase das investigações. Segundo o cabo, o Estado Maior do 14º BPM também recebia propina de PMs do 41º BPM. “Ele estava com o 41º BPM e com o 14º BPM na mão”, afirma o praça, se referindo ao major Edson Pinto Alexandre de Góes, segundo o relatório.

    De acordo com o relatório da Ssinte, um dos presos na última segunda-feira, o sargento Eduardo Silveira Alexandria era o responsável por arrecadar a propina no 41º BPM para os oficiais do 14º BPM. “Sargento Alexandria era um dos responsáveis pelo recolhimento de propina no 41º BPM para o major Edson e demais oficiais do 14º BPM e, por isso, Alexandria foi trazido para a unidade deles e inserido na equipe da ronda bancária”.

    De fato, Alexandria foi transferido do batalhão de Irajá para o de Bangu em novembro de 2012. Quando ainda estava lotado no 41º BPM, Alexandria foi investigado em um Inquérito Policial Militar por “envolvimento em transporte alternativo e de passageiros e de mototáxis”. O IPM foi concluído sem “indícios de infração”.

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  5. É necessário que um órgão "extra polícia" atue no combate à corrupção, tanto na Polícia Militar, quanto na Polícia Civil, pois é a única forma de se impedir que o corporativismo do mal impere nestas instituições, em função de suas corregedorias internas acobertarem crimes cometidos pelos chamados "peixes-grandes" (Coronéis e Delegados).

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