domingo, 5 de julho de 2015

Menores são divididos por facções criminosas no Degase

Na semana em que a Câmara dos Deputados aprovou a redução da maioridade penal, agentes que trabalham nas instituições do Rio relataram problemas na entrada dos adolescentes no sistema. Para garantir a segurança dos internos, a rotina de atividades nas instituições precisou ser modificada nos últimos meses, com a adoção de sistema de revezamento para as refeições.


No Centro Dom Bosco, na Ilha do Governador, dos 47 alojamentos, 43 são ocupados pelo Comando Vermelho (CV). Os demais são destinados ao Terceiro Comando (TC), ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ao Amigos dos Amigos (ADA). “Quando o menor é enviado para a unidade, é submetido a uma série de perguntas. Uma delas é sobre qual facção pertence”, contou um agente.

DIVISÃO 
Segundo o presidente do Sind-Degase, João Luiz Pereira Rodrigues, a divisão dos internos é uma forma de garantir a segurança dos adolescentes. “Se misturar, pode dar até morte entre eles”, ressaltou. Neste ano, dois menores foram mortos na unidade de internação Escola João Luiz Alves, na Ilha, durante uma briga entre facções. No ano passado, dois adolescentes também morreram no Dom Bosco pelo mesmo motivo.
No Educandário Santo Expedito, em Bangu, os horários das atividades e das refeições tiveram que ser modificados para evitar brigas entre grupos rivais. O almoço é servido em esquema de revezamento entre cinco grupos. O jantar também teve alteração. “A janta é servida somente até 18h, antes de escurecer. Não dá para ficar com eles no refeitório durante a noite porque sempre tem confusão”, explicou um servidor.

A saída para a escola e para atividades na quadra também segue um revezamento. “O CV sempre tem que ir sozinho. Se eles encontram com alguém de outra facção no caminho, tem cusparada, xingamento e até ameaça de morte”, completou o agente.

Em nota, a direção do Degase não admite a repartição por facções. O Departamento alega que a divisão dos jovens é feita de acordo com a localidade de moradia, a idade e a gravidade do ato infracional.

Julgamentos e castigos físicos

Nos alojamentos, as regras são ditadas pelos menores. Ao fim das visitas, aos sábados, é feito um julgamento coletivo. Nessas ocasiões, por exemplo, eles descobrem se o adolescente mentiu para a facção. “Ficam rondando as famílias dos mais novos. Se descobrirem mentiras, tem o julgamento”, contou um servidor.

Segundo os agentes, cada alojamento tem o seu líder, chamado de “mais velho”. É ele quem comanda o julgamento. “Primeiro, eles contam o que ocorreu. Então, cada um do alojamento vota pela penalidade, que pode ser a melhor ou a pior forma”, completou.

A melhor forma é a transferência da cela. E a pior é o castigo físico. Para o especialista em Direitos Humanos Pedro Strozenberg, a divisão no Degase dos menores por facções reafirma o clima de violência. “Eles saem de uma rotina de crime lá fora e encontram o mesmo cenário nas instituições”, comparou.

2 comentários:

  1. O BRASIL É O PAÍS DOS BANDIDOS?

    http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/imagens-mostram-medica-voltando-para-socorrer-bandido-em-onibus.html

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  2. Policiais Militares do Rio de Janeiro morrem por um vencimento inferior ao Salário Mínimo Necessário!

    Todo mundo quer maior qualidade na segurança pública, mas para melhorar a qualidade será imprescindível melhorar a questão salarial, ou seja, valorizar o Policial Militar com uma remuneração digna.

    O Salário Mínimo Necessário foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em R$ 3.377,62 (três mil, trezentos e setenta e sete reais e sessenta e dois centavos) no mês de Maio de 2015, de acordo com o inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal de 1988 ("salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo").

    http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html

    O adicional de periculosidade para profissionais de segurança pública foi aprovado!

    A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 193/15, que garante aos integrantes do sistema de segurança pública de todo o País o adicional de periculosidade. Pelo texto, cada estado vai estabelecer o valor do adicional, desde que observado um percentual mínimo de 30% sobre a remuneração total. Acrescido dos 30% de Adicional de Periculosidade (R$ 1.013,28), o valor do Piso Salarial da categoria deveria ser fixado em R$ 4.390,90 (quatro mil, trezentos e noventa reais e noventa centavos). O menor vencimento deve ser igual ou superior ao referido valor.


    "QUEM VIVE PARA PROTEGER, MERECE RESPEITO PARA VIVER." NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA OS BAIXOS SALÁRIOS DOS SERVIDORES MILITARES NO RIO DE JANEIRO! POLICIAL MILITAR DESMOTIVADO SIGNIFICA SEGURANÇA PÚBLICA AMEAÇADA.

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