quinta-feira, 31 de março de 2016

RAS : batalhões perderam até 900 policiais por mês nas ruas

Por conta do atraso nos pagamentos a policiais que aderem ao Regime Adicional de Serviço (RAS) e reforçam o policiamento ostensivo em todos os batalhões do estado, algumas unidades chegaram a perder até 30 policiais por dia. Segundo dados do Estado Maior da PM, entregues à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), as duas unidades que mais perderam agentes foram o 7º BPM (São Gonçalo) e o 20º BPM (Mesquita) — batalhões que tinham 900 vagas mensais de policiamento extra no segundo semestre do ano passado.
PMs de ambos os batalhões confirmaram que, a partir do início de março, as unidades não receberam policiais que aderiram ao RAS. Ao todo, de acordo com o documento, no segundo semestre do ano passado, 560 vagas diárias eram divididas por 39 unidades.
Nas áreas de atuação desses dois batalhões, o número de roubos avançou em relação ao ano passado. Em fevereiro deste ano, foram registrados 885 roubos em São Gonçalo — 78% a mais do que o mesmo mês do ano passado. Já em Mesquita, houve um aumento de 24% nos registros deste tipo de crime.
Para tentar reduzir os índices criminais, a PM reforçou o policiamento dos batalhões com 700 policiais de unidades especiais e também do efetivo administrativo da corporação. O 20º BPM, por exemplo, passou a receber 20 PMs do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE) em alguns dias da semana.
— Estamos recebendo dez duplas de policiais todos os dias, que são escaladas nos horários e locais em que detectamos maior necessidade — afirmou Fernando Salema, comandante do 12º BPM (Niterói), que segundo o levantamento do Estado Maior, recebia 20 policiais do RAS por dia.
Menos PMs nas ruas
Em um ano, a quantidade de PMs que adere ao RAS diminuiu 99,2%. Em março e abril de 2015, o número de policiais que participava do programa a cada dia passava de 1.500, em média. Atualmente, por conta do atraso nos pagamentos, são apenas 12 agentes a mais nas ruas diariamente.
No início do segundo semestre do ano passado, em virtude da crise financeira pela qual passa o estado, a PM apresentou “medidas saneadoras” para diminuir o custo do RAS. A partir de então, as vagas diárias foram reduzidas de mais de duas mil para cerca de 500. A meta era “alcançar o equilíbrio orçamentário” em seis meses.
A Baixada Fluminense recebia a maior quantidade de policiais do programa: eram 116 por dia, espalhados pelos seis batalhões da PM na região.

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