segunda-feira, 4 de julho de 2016

Barricada improvisada com blocos de concreto protege PMs na UPP Vila Cruzeiro


“Ninguém quer ficar ali, está todo mundo pedindo baixa”, conta um policial da UPP Vila Cruzeiro, sob condição de anonimato. Ele se refere a uma base de patrulhamento situada na Rua Ardiria, na comunidade da Cascatinha, Complexo da Penha, utilizada também por PMs da UPP Parque Proletário. Ali, um empilhado de blocos de concreto é a única proteção dos agentes contra os ataques constantes de bandidos, como comprovam as várias marcas de tiros tanto na própria barricada improvisada quanto num poste em frente.

— Vem bala de cima, por trás, do lado. É tensão sem parar. E, se sairmos dali, perdemos a favela — diz outro PM, também sem expor a identidade.

Entre os policiais, o ponto exato onde está a base — na localidade conhecida como Vinte e Nove — é chamado de “esquina do pecado”. A despeito da estrutura precária, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) descreve o local como um “ponto de fortificação”.


As ofensivas dos traficantes podem vir de três direções diferentes. Viradas para cada uma, há um vão nas barricadas de cimento, numa espécie de escotilha por onde os agentes apontam suas armas em situações de confronto, como mostra um vídeo de uma das ações, gravado em 13 de junho e publicado pelo canal “Factual RJ” no YouTube.

Neste domingo, a região foi palco de mais um tiroteio. Um PM e dois moradores ficaram feridos justamente na localidade Vinte e Nove, conforme divulgou a CPP. Todos foram levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, também na Penha, onde o agente foi medicado e liberado.

Vídeo de canal no Youtuve mostra PMs abrigados no local Vídeo de canal no Youtube mostra PMs abrigados no local Foto: Reprodução de vídeo
A base da Rua Ardiria foi erguida há cerca de um ano, por determinação do comandante da UPP Vila Cruzeiro à época, pelos próprios policiais lotados na unidade. A intenção era oferecer algum nível de proteção para os já frequentes confrontos no local.

Embora os PMs passem até 16 horas seguidas no espaço, durante todo um serviço, eles contam que a construção não tinha sequer instalação elétrica. Sem opção, os agentes apelaram a ligações clandestinas, tornando possível usar ao menos um ventilador nos dias mais quentes, por exemplo. Os policiais se queixam e ainda da precariedade do banheiro, também improvisado em concreto na calçada ao lado.



Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela CPP:

“A instalação citada por você trata-se de um ponto de fortificação utilizado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Sobre a permanência de um policial durante 24 horas no local, a informação não procede. A escala dos policiais que ali trabalham é de 24 horas de serviço, com revezamento de outras equipes e descanso de 8 horas.

A presença daquele ponto de fortificação é exatamente para trazer segurança ao trabalho policial, já que aquela é uma área de interesse do tráfico. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) está usando medidas de contenção provisórias, mas é importante ressaltar que os policiais contam com dois pontos de apoio próximos: a base macarrão, da UPP Parque Proletário, e uma cabine blindada da UPP Vila Cruzeiro. Esses dois locais possuem estrutura para atender as necessidades dos agentes.

Quanto a questão de pedido de baixa dos PMs, a UPP não recebeu nenhuma solicitação desse tipo.”

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