sábado, 2 de julho de 2016

BELTRAME,É HORA DE PARTIR !


João Batista Damasceno 
Doutor em Ciência Política e juiz de Direito



Pela primeira vez na história da violência do Rio as estatísticas registram mais mortes de policiais em serviço que fora dele. Anteriormente morriam mais policiais violentamente em razão de atividades particulares e reação a roubos que em serviço. O acirramento do conflito foi propiciado pela política de extermínio implantada em 2007, sob o comando do governador Sérgio Cabral e do secretário Beltrame. 
Carro-chefe de um governo sem programa, anão ser os grandes eventos que enriqueceram as empreiteiras e políticos inescru-pulosos, as UPPs foram instaladas após chacinas que abriram o espaço para a ocupação militar, a começar pelas da Coreia e do Alemão. A aliança que se formou em torno dos grandes eventos e de tal política genocida afastou qualquer discussão sobre o que é segurança pública e seus fundamentos. Dirigentes de organismos que têm a incumbência de defesa de direitos aliaram-se aos governantes, em razão de rasos interesses eleitoreiros. A destituição pelo presidente da OAB-RJ, em 2007, da Comissão de Direitos Humanos que acompanhava a apuração das chacinas é emblemática. 
A pretexto de política de segurança disseminaram-se a violência estatal e a arapongagem. As polícias Militar e Civil foram submetidas a regime de dominação espantoso. Tivemos quase um comandante da PM por ano desde 2007, e deslocou-se uma delegacia para a estrutura da Secretaria de Segurança, fora dos quadros da Polícia Civil, sem subordinação ao chefe de polícia. 
Quem vir uma tartaruga no galho de uma árvore há de procurar saber quem a colocou lá, pois tartarugas não sobem em árvores. De onde surgiu o secretário Beltrame, não sabemos, assim como não sabemos quem o mantém no cargo e a razão de a maioria dos secretários de segurança do país ser de delegados federais, cargo que o secretário ocupa em razão de decisão judicial; para onde irá após as Olimpíadas, também não sabemos. Tampouco podemos dizer se continuará delegado ou se retomará ao cargo de agente. Mas as sequelas deixadas pela política por ele implementada e a dificuldade de reorganização dos órgãos de segurança serão sentidos no dia a dia dos fluminenses. Diante da crise na segurança que se vivência e se agravará com a permanência do secretário, é hora de sua partida.

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